Maria Emília Brederode Santos morreu este sábado, 11, aos 83 anos. Pedagoga, investigadora e figura incontornável da vida cultural e cívica portuguesa, deixa um percurso marcado pela defesa intransigente da educação pública e da liberdade.
Nascida em Lisboa em 1942, licenciou-se em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e completou o mestrado em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston.
Na televisão pública, dirigiu pedagogicamente as quatro séries da Rua Sésamo e a respectiva revista, na RTP, entre 1987 e 1997 – obra que marcou a infância de uma geração de portugueses.
Na área da educação, presidiu ao Instituto de Inovação Educacional do Ministério da Educação entre 1997 e 2002 e liderou o Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022. Foi também condecorada com a Ordem da Instrução Pública, no grau de Grande Oficial, em 2004. Em Janeiro de 2023, o ISPA – Instituto Universitário atribuiu-lhe o doutoramento honoris causa pelo contributo dado à educação em Portugal.
Até ao fim manteve uma intervenção pública activa, tendo participado recentemente no movimento de Covas do Barroso contra um projecto mineiro naquela região classificada como Património Mundial.
Era irmã do jurista e cronista Nuno Brederode Santos e viúva do historiador José Medeiros Ferreira, falecido em 2014.