Os métodos de intervenção e de abordagem da agência federal de imigração dos Estados Unidos, o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), estão a ser alvo de críticas amplas em todo o país, depois de uma série de incidentes violentos e de confrontos em Minnesota que já resultaram em mortes e protestos massivos. Vídeos divulgados pela imprensa e nas redes sociais evidenciam a violência da sua intervenção.
Durante as últimas semanas, operações de fiscalização e deportação em Minneapolis e nas áreas metropolitanas circundantes fizeram disparar acusações de uso excessivo da força, violações de direitos civis e padrões operacionais agressivos por parte dos agentes do ICE e de outras forças federais ligadas ao Departamento de Segurança Interna (DHS).
A 7 de janeiro, uma cidadã norte-americana de 37 anos, foi morta a tiro por um agente do ICE durante uma operação de fiscalização em Minneapolis — um episódio que chamou a atenção nacional para as práticas de força letal empregues pela agência.
A situação agravou-se no sábado, 24 de janeiro, quando um homem de 37 anos foi também mortalmente baleado por agentes federais numa rua da cidade, durante outra intervenção que decorreu no âmbito da intensificação da fiscalização de imigração.
As críticas não se limitam aos disparos fatais. Em vários casos difundidos nas redes sociais e pela imprensa, agentes do ICE forçaram a entrada em residências sem mandado judicial, detiveram cidadãos — inclusive em situações em que mais tarde se verificou que não havia causa justificável — e fizeram detenções em locais sensíveis como clínicas, igrejas e escolas, levantando questões legais e constitucionais.
Além disso, autoridades locais e organizações de direitos humanos destacam a falta de mecanismos de responsabilização e transparência nas operações. Muitas das equipas envolvidas não utilizam câmaras corporais (bodycams), e investigações independentes são frequentemente limitadas, com controlo exclusivo das evidências entregue às autoridades federais.
O governador de Minnesota e os líderes municipais têm condenado as operações federais, descrevendo-as como desproporcionais e prejudiciais à segurança das suas comunidades. Por sua vez, o Departamento de Segurança Interna defende que as ações visam cumprir a lei e proteger a segurança pública, sustentando que o uso de força letal ou medidas coercivas só ocorre quando os agentes percecionam ameaças imediatas à sua integridade física ou à de terceiros.