Ao contrário do resto da família, Sandro Castro, de 33 anos, neto do ex-líder cubano Fidel Castro, já deixou clara a sua posição quanto ao regime na ilha. Agora, em declarações à CNN, diz que “há muitas pessoas em Cuba que querem o capitalismo e a soberania, não o comunismo”.
“Temos de abrir o modelo económico e eliminar a burocracia”, argumentou. “Eu sou um revolucionário, mas um revolucionário de ideias, progresso e mudança”, acrescentou, referindo-se ao slogan do atual presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, que faz referência à “continuidade”: “Não está a fazer um bom trabalho.”
À data da entrevista, Cuba, que vive sob um embargo económico há mais de 60 anos, passava por um novo apagão. “Enfrentamos milhares de problemas. Num dia, pode faltar eletricidade e água. As mercadorias não chegam. É muito difícil, realmente muito difícil”, lamenta Sandro Castro, ao mesmo tempo que o seu manager lhe entregava outra cerveja gelada, relata a CNN.
Este neto de Fidel assume-se um cubano como qualquer outro, cansado da governação comunista e da economia em colapso. Contudo, aparenta ter um estilo de vida acima da média. Na sua presença assídua nas redes sociais, exibe produtos de marcas caras e as festas parecem nunca terminar. A dicotomia entre as suas declarações e aquilo que mostra da sua vida tornam-no uma figura controversa, num país em que o salário médio ronda os 17 euros por mês.
Sandro Castro nega ser milionário e rejeita que as ligações familiares o protejam ou lhe facilitem a vida. “O meu nome é o meu nome. Tenho orgulho nele, mas não vejo nenhuma ajuda [por causa disso]. Sou só mais um cidadão.” Empresário da vida noturna, contou à CNN que a discoteca de que é proprietário na principal avenida de Havana ‘só’ custou 50 mil dólares (43.404 euros): “O pouco que tenho é fruto do meu esforço e sacrifício.”
Os vídeos que publica nas redes sociais levaram a Segurança do Estado a convocá-lo para interrogatório. Foi libertado apenas com uma advertência, mas garante que a consequência leve não se deveu ao seu apelido, mas, antes, porque nunca incitou à violência nem à mudança de regime.