Está a dar que falar o caso protagonizado por Prestianni e Vinícus Júnior no jogo disputado esta terça-feira entre Benfica e Real Madrid, a contar para a Liga dos Campeões. Lou Loução, membro da associação SOS Racismo afirma, em declarações exclusivas ao 24Horas, que caso as acusações do jogador dos merengues se comprovem, estamos a falar de um comportamento que “não é tolerável”.
Foi depois de o extremo brasileiro marcar o único golo da partida, à passagem do minuto 50, e ir festejar de forma, que os adeptos encarnados consideraram, provocatória, que a polémica se instalou. Os jogadores de ambas as equipas envolveram-se em picardias, com Vini Jr a acusar Prestianni de lhe ter chamado macaco. O árbitro ativou o protocolo de racismo da UEFA e a partida foi interrompida durante 10 minutos.
À conversa com o 24Horas, Lou Loução explica que o racismo “não é tolerável” e apela à sua criminalização. O membro do SOS 24 refere ainda que estamos perante um problema estrutural em Portugal e que a suspensão do jogador pode parecer uma medida justa, mas não o deveria ser, já que o racismo deveria ter outras formas de responsabilização. Loução sustenta que os atos racistas se devem equiparar a atos de violência doméstica, por exemplo.
Quem também falou com o 24Horas foi José Falcão, da mesma instituição. O ativista afirma que estamos “numa sociedade estruturalmente racista e que não o quer reconhecer”, e subscreve que em Portugal urge a criminalização do racismo.
José Falcão acrescenta que este não é um caso isolado, sublinhando que há várias atitudes racistas no futebol. Mas deixa reparo de que se o racismo não for reconhecido, as instituições não podem atuar devidamente.
“Estas coisas são gravíssimas e as pessoas não reconhecem”, afirma.
José Falcão prossegue e argumenta que a criminalização do racismo não é suficiente. Nas suas palavras “é preciso penalizar currículos, bloquear prioridades no acesso aos empregos”. Quanto ao futebol, o ativista é prentório: “No futebol é preciso acabar com isto, esta pessoa tem de ser erradicada durante dois, três anos, conforme a gravidade da situação”.