O presidente da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril, Francisco Kreye, de 36 anos, levou à Assembleia da República uma proposta para travar as “lojas de fachada” nos centros históricos. O 24Horas falou agora com o presidente para conhecer melhor este projeto.
“A petição surge daquilo que é um sentimento de todos os que vivem e nos visitam em Cascais. É o sentimento de perda da identidade de um comércio onde as pessoas não se reveem e uma lei onde, infelizmente, o regime do licenciamento zero assumiu um efeito perverso”, começou por explicar Francisco Kreye.
Mas o presidente da Junta de Freguesia de Cascais e Estoril avisa: “Nós não queremos terminar com o regime do licenciamento zero. Nós propomos é uma revisão desse mesmo regime. É um regime positivo. Permitiu desburocratizar atos administrativos que eram pesados, permitiu acelerar processos de apoio ao empreendedor e ao empresário.”
A justificação de Francisco Kreye para a petição é o facto de assistirmos a “um efeito perverso”: “A perda de identidade a que assistimos nos centros históricos, é preciso repensar, é preciso refletir e aquilo que nós pedimos é uma nova geração de licenciamento responsável que, efetivamente, possa prevenir este tipo de situações, fiscalize à priori e não à posteriori.”
Quando questionado em que é que a sua proposta iria beneficiar a vida dos munícipes, Francisco Kreye deu o exemplo do antes e depois da Rua Direita, no Estoril: “O sentimento comum por parte das pessoas é recordar, por exemplo, aquilo que era a antiga Rua Direita e aquilo em que ela se tornou hoje.”
Francisco Kreye terminou a explicar os lados positivos da sua proposta: “Esta petição é a favor dos pequenos comerciantes e da economia local. É a favor da identidade e da região de cada povo. É a favor da população imigrante – que são muitas vezes as principais vítimas destas lojas de souvenires, que funcionam muitas das vezes como redes de imigração ilegal. É a favor do património e do ordenamento territorial que, assim, é completamente impossível de prever e sustentar a longo prazo.”