Registos oficiais recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA revelam a proximidade social entre a supermodelo Naomi Campbell e Jeffrey Epstein.
A documentação inclui trocas de e-mails, convites e referências a encontros ao longo de cerca de 20 anos, com o nome da modelo, de agora 55 anos, a surgir centenas de vezes sem que lhe seja imputada qualquer infração. As menções dizem respeito sobretudo a eventos sociais, iniciativas profissionais e contactos ocasionais dentro de círculos de alta sociedade.
Entre os episódios mencionados estão celebrações em St. Tropez, eventos de moda em Paris ligados à Dolce & Gabbana e ações solidárias em Moscovo para a organização NEON. As comunicações reveladas mostram também contactos entre a equipa da modelo e colaboradores de Epstein, incluindo Sarah Kellen e Lesley Groff. Num dos registos, de maio de 2015, lê-se: “Por favor, ligue para Naomi Campbell. Ela está em Espanha, mas está acordada.”
Os ficheiros indicam ainda que, em 2010, Naomi Campbell enviou convites para festas pouco tempo após a saída de Epstein da prisão, e que o relacionamento terá arrefecido em 2016 depois de um pedido da modelo para utilizar o jato privado do empresário numa viagem a Miami, que acabou por não se concretizar. Segundo os documentos, a ligação entre ambos remontará a 2001, quando se conheceram numa festa de aniversário em França, onde estavam também presentes Ghislaine Maxwell e Virginia Giuffre.
Apesar da exposição mediática, a supermodelo sempre negou qualquer envolvimento em abusos e, em 2019, afirmou: “O que [Epstein] fez é indefensável, e quando ouvi fiquei enjoada como toda a gente. Tive a minha quota de predadores sexuais, mas graças a Deus tive pessoas boas à minha volta que me protegeram. Estou do lado das vítimas. Elas ficam marcadas para sempre.” O representante legal de Campbell reforçou que a relação se limitou a contactos sociais e profissionais, sublinhando que a modelo desconhecia as atividades criminosas do empresário.