As principais organizações do setor da aviação na Europa avisam que a época alta poderá ser marcada por fortes constrangimentos operacionais nos aeroportos devido à entrada em funcionamento do novo sistema de controlo de fronteiras no Espaço Schengen. Uma realidade bem conhecida, há meses, no aeroporto de Lisboa.
Num comunicado conjunto, o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI Europe), a Airlines for Europe (A4E) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) pedem ação urgente para evitar disrupções significativas no tráfego aéreo.
As entidades admitem que, sem medidas rápidas, os tempos de espera no controlo de fronteiras poderão ultrapassar as quatro horas. Numa carta dirigida ao comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, as organizações referem que já se registam atrasos elevados nas fases iniciais do sistema.
O chamado Sistema de Entradas e Saídas (EES) pretende substituir o carimbo manual de passaportes, recolhendo dados biográficos e biométricos dos viajantes, além de registar datas de entrada e saída para detetar permanências irregulares. No entanto, o setor aponta carências persistentes de recursos humanos nos controlos fronteiriços e falhas tecnológicas ainda por resolver.
No documento, é ainda solicitado à Comissão Europeia que confirme a possibilidade de os Estados-membros manterem a suspensão parcial ou total do sistema até ao final de outubro de 2026, caso a operação revele dificuldades.
O EES começou a ser implementado de forma faseada em outubro de 2025 em fronteiras terrestres, marítimas e aeroportuárias. Atualmente abrange cerca de 35% dos viajantes de países terceiros, estando previsto atingir cobertura total até 10 de abril, já em plena aproximação ao verão.