A promessa é simples: emagrecer rápido, sem esforço e com resultados quase imediatos. É assim que as chamadas canetas emagrecedoras estão a ser vendidas de forma ilegal no Brasil, alimentando um mercado clandestino que já terá movimentado cerca de 95 milhões de euros e exposto milhares de pessoas a riscos sérios para a saúde.
Tratam-se de medicamentos injetáveis que imitam fármacos usados no tratamento da diabetes e da obesidade. O problema é que grande parte destas canetas não tem qualquer registo sanitário, não passou por avaliações de segurança e é comercializada fora do circuito legal de saúde.
Como funciona o esquema
O centro desta operação ilegal está no Paraguai. Lá, estas canetas são vendidas livremente, sem necessidade de receita médica, em lojas, clínicas improvisadas e também por intermediários que actuam nas redes sociais. A partir daí, os produtos atravessam a fronteira e entram no Brasil de forma clandestina, escondidos em bagagens pessoais ou através de pequenas redes de contrabando.
Já em território brasileiro, a distribuição acontece em três frentes principais: comércio de rua, grupos privados pagos e plataformas digitais. Os vendedores recorrem a estratégias de marketing agressivas, com anúncios que prometem emagrecimentos rápidos, depoimentos encenados de supostos clientes satisfeitos e até vídeos com coreografias para normalizar e banalizar o uso do produto — um esquema cuja dimensão e sofisticação foram reveladas numa reportagem exibida pelo Fantástico.
O perigo que não aparece na embalagem
Ao contrário dos medicamentos vendidos em farmácias, estas canetas ilegais não oferecem garantias sobre a sua composição. Não há controlo de qualidade, não se conhece a origem real das substâncias e muito menos se a dosagem é segura para uso humano.
Especialistas alertam que a utilização destes produtos pode provocar reacções adversas graves, sobretudo quando são usados sem acompanhamento médico. Há ainda suspeitas de falsificação: embalagens semelhantes às de medicamentos legítimos, nomes quase idênticos e rótulos que simulam aprovação oficial, criando uma falsa sensação de segurança para quem compra.
Portugal também em alerta
Em Portugal, o problema não passa ao lado das autoridades. Tem sido identificado o aumento da venda ilegal de medicamentos para emagrecer através da internet, sobretudo em sites não autorizados e redes sociais.
Produtos apresentados como soluções rápidas para a perda de peso surgem frequentemente sem prescrição médica, fora do circuito farmacêutico e sem qualquer garantia de segurança. Alguns imitam medicamentos legítimos, outros contêm substâncias que apenas deveriam ser utilizadas sob rigorosa supervisão clínica.
As autoridades de saúde alertam que medicamentos adquiridos fora das farmácias ou plataformas autorizadas podem não conter o que anunciam, representar riscos sérios para a saúde e até agravar problemas médicos já existentes.
Um atalho perigoso
O comércio ilegal de canetas emagrecedoras revela uma combinação perigosa: pressão estética, desinformação e um mercado clandestino altamente lucrativo. Enquanto houver procura por soluções rápidas e milagrosas, este tipo de negócio continuará a crescer, explorando fragilidades e colocando vidas em risco.