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  • “Não será por mim que duração da legislatura será interrompida”, António José Seguro
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É um dos objetos mais comuns do quotidiano, não distingue géneros, etnias ou classes sociais. Mas o que terá uma simples caixa de plástico ou vidro, utilizada para guardar comida, a ver com um dos fenómenos de saúde mental mais preocupantes do século XXI, o burnout? A resposta reside num novo síndrome que se abate sobre milhões de pessoas e está a dar que falar.

“Síndrome de Tupperware” é a a expressão recente que designa o contexto socioeconómico da classe trabalhadora do presente século. Uma vida marcada por uma rotina enfadonha, escravizante no tempo e no espaço, demasiado focada na carreira profissional e sem dar lugar ao ócio, às atividades de lazer e à liberdade social.

O conceito surge num quotidiano comum a muitos trabalhadores: acordar de madrugada; sair cedo de casa para uma epopeia em transportes; estar oito ou mais horas em frente ao computador, enfrentando o stress inerente a um dia de trabalho; e chegar a casa desgastado, tendo ainda de preparar a marmita para o dia seguinte.

Um protocolo de tarefas, que funciona em catadupa e é cronometrado a relógio suíço. O tema ganhou especial destaque, depois de uma carta assinada por Amanda Alonso ter sido publicada no ‘El País’, criando um enorme debate nas redes sociais.

A autora define o “síndrome do tupperware” como a “condenação da classe trabalhadora do século XXI”, descrevendo a frustração partilhada entre amigas por uma asfixia criada pela realidade económica a que pertencem.

“Agora todas vivemos sufocadas por rendas incomportáveis, salários precários e empregos que nos impedem de escolher onde queremos viver. E, nas poucas horas livres de segunda a sexta-feira, somos prisioneiras do síndrome do tupperware”, escreve Amanda.

“Quebrar a rotina numa tarde, ir ao cinema ou beber uma cerveja e não cozinhar ao chegar a casa, é um privilégio que só podem ter aqueles para quem comer fora do escritório ou encomendar comida não representa um rombo nas contas do mês”, acrescenta para explicar a prisão ao banal.

A autora termina com um apelo: “Oxalá um dia deixemos de entregar todo o nosso tempo e recursos ao trabalho e comecemos a viver dele com liberdade”.

“Uma vida altamente organizada por fora, mas emocionalmente, totalmente desnutrida por dentro”. É assim que Isabel Henriques, psicóloga e fundadora da Mental Health Clinic, define este fenómeno. À conversa com o 24Horas, a especialista em saúde mental explica que este é um processo essencialmente urbano, vivido sobretudo nas grandes cidades, e que cresce no “território invisível entre o autocuidado e a exaustão”.

Em declarações exclusivas ao 24Horas, a psicóloga dá conta de que este é um processo com efeitos patológicos físicos e emocionais, já que não permite ao corpo descansar devidamente.

“Do ponto de vista psicológico este é um dos sinais de sobrecarga urbana, que é a incapacidade de transitar do fazer para o ser, e é aqui que começam os primeiros sinais clínicos, muitas vezes desvalorizados, como por exemplo uma irritação difusa ao final do dia, impaciência com quem mais se ama”, começa por dizer.

“Chegamos à hora de jantar, que podíamos estar a usufruir com as pessoas que mais gostamos, ou quem não as tem, como um momento para relaxar, mas o jantar deixa de ser um encontro e passa a ser gestão do dia seguinte”, acrescenta.

Isabel Henriques revela que é nas relações pessoais de cada indivíduo, que o peso deste síndrome mais se faz sentir.

“Em muitos casais, há uma reflexão para esta situação, que é muitas vezes o palco para microruturas emocionais. Falta de tempo para ouvir e para escutar, e tudo isto não é falta de amor, é falta de tempo, tempo psíquico para poder estar disponível para o outro. Há aqui uma expressão corporal, que é o corpo acompanha esta prisão funcional com níveis de cortisol altíssimos. Isto vai fazer com que haja questões mais difíceis, como sono fragmentado e que ao outro dia, quando nós acordamos, acordamos completamente exaustos. Como se nunca nos estivéssemos deitado para dormir”, descreve a psicóloga.

“Acontece que o sistema nervoso nunca recebe o sinal de segurança necessário para restaurar , ou seja passamos uma noite sem haver restauração. Porque o nosso foco está em preparar marmitas numa fadiga crónica e que não é autocuidado, é apenas adaptação ao excesso”, prossegue.

A especialista reflete sobre o paradoxo entre os níveis elevados de qualificações profissionais e a ausência de conhecimento emocional de cada um.

“E há algo profundamente simbólico, quase poético nisto, que eu gostava de deixar aqui, que são vidas altamente organizadas por fora e emocionalmente, completamente, desnutridas por dentro”, atira, para explicar em seguida que:

“O síndrome de tupperware é exatamente o símbolo de uma geração competente, resiliente, altamente adaptada para entrar no mercado profissional, mas altamente inadequada para fazer a gestão da sua relação emocional e das suas necessidades internas para consigo e com o outro”.

Mas Isabel Henriques vai mais além e termina em tom reflexivo.

“Uma geração que aprendeu a antecipar o amanhã, mas não sabe pousar no hoje, não sabe viver o momento. Talvez a pergunta mais importante aqui, não seja quantas marmitas faltam preparar, mas quanto de nós fica esquecido todos os dias dentro delas?”, questiona.

Recorde-se que o burnout é um síndrome que se define como um esgotamento extremo devido a um contexto laboral de stress crónico e que se manifesta através de sintomas como a exaustão física e emocional ou pela falta de afetividade e empatia para com o outro.

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