Segundo dados do Portal da Queixa, em 2025 foram registadas 2.090 reclamações na subcategoria de casinos e casas de apostas online ilegais. Trata-se de um fenómeno persistente em Portugal, frequentemente promovido por vários influencers nas plataformas digitais, apesar dos alertas emitidos pelo regulador para os riscos associados a estes jogos.
Os jogos de apostas online ilegais continuam a representar um risco crescente para os consumidores, com impacto direto na segurança financeira, na proteção de dados pessoais e na confiança dos jogadores.
De acordo com a análise do Portal da Queixa, 72,08% das reclamações dizem respeito a dificuldades no levantamento de fundos, incluindo atrasos prolongados nos pagamentos, bloqueio de contas com montantes elevados e reembolsos que nunca chegam a ser efetuados. Seguem-se as queixas relacionadas com falta de segurança e fraude (18,76%), que envolvem suspeitas de burla, utilização indevida de dados pessoais e práticas consideradas enganosas.
Entre as situações mais reportadas estão contas bloqueadas com milhares de euros por levantar, estratégias de adiamento sistemático dos pagamentos até à perda do saldo pelo jogador e o congelamento imediato de contas após depósitos elevados, muitas vezes sem qualquer explicação ou apoio eficaz por parte das plataformas.
No ranking das casas de apostas e casinos ilegais mais reclamados destacam-se plataformas sem licença para operar em Portugal, associadas a um elevado número de queixas por práticas abusivas e falta de transparência.
Os dados demográficos revelam ainda que o impacto destes jogos ilegais é mais expressivo no género masculino, que representa 78,61% das reclamações. A faixa etária mais afetada situa-se entre os 35 e os 44 anos, responsável por 46,94% das queixas, sendo nas áreas de Lisboa (16,56%) e do Porto (14,31%) que se concentra o maior volume de reclamações.
A presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), Joana Teixeira alertou que, embora o jogo seja uma atividade lúdica e nem todos os jogadores desenvolvam comportamentos patológicos, a exposição aos mesmo pode aumentar significativamente o risco para quem tem maior propensão para jogos de apostas