Os preços aumentam, as rendas sobem e o acesso à habitação torna-se cada vez mais difícil. Mas, ao mesmo tempo, existem mais de 700 mil casas vazias em Portugal. Ou seja, 12% dos alojamentos disponíveis encontram-se vagos. Mas, onde estão, afinal, as casas vazias em Portugal? Será que podem ajudar a resolver a crise da habitação que Portugal enfrenta?
O problema, como identifica o Banco de Portugal no último Boletim Económico, é que a grande maioria das casas vazias estão localizados nos municípios do interior. Muitos foram muito afetados pela emigração e pela migração para o litoral que ocorreu nas últimas décadas. Ou seja, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, a percentagem de casas vazias é significativamente inferior face ao total. No Interior Centro, no Alentejo e no Vale do Tejo o cenário é o oposto.
E não só. Mais de metade destas casas necessita obras profundas. Além disso, 26% destes imóveis pertencem a mais do que um proprietário, o que dificulta a sua colocação no mercado.
O Banco de Portugal apresenta vários fatores que justificam a manutenção dos imóveis vazios: têm um IMI baixo porque, muitas vezes, baseia-se em valores patrimoniais desatualizados; os proprietários têm receio em colocá-los no mercado de arrendamento; e o facto de o imobiliário, mesmo estando parado, continuar a valorizar. Na última década, a média foi de 9% de valorização ao ano, tornando atrativo manter o imóvel vazio como investimento de longo prazo.