A comissão liquidatária do Banco Privado Português (BPP), ao fim de 16 anos de muitos e porfiados esforços, ainda não conseguiu liquidar o banco – e nem sequer teve tempo para terminar a lista final de credores…
Não podem os liquidatários queixar-se da falta de pessoal. A comissão – inicialmente presidida por Luís Máximo dos Santos, entretanto nomeado vice-governador do Banco de Portugal, e agora por Mendes Paulo – tem mais dois vogais e tem vindo a ser reforçada com especialistas do Banco de Portugal, advogados e funcionários administrativos.
Trabalham na liquidação do banco de João Rendeiro um batalhão de duas dezenas de pessoas: “Só em salários e despesas administrativas, a comissão liquidatária já gastou para cima de 5 milhões de euros”, diz ao 24Horas Jaime Antunes, ex-acionista e um dos credores do banco fundado em 1996 por Rendeiro, que viria a morrer preso numa cela de uma prisão da África do Sul, em Maio de 2022. A massa falida do banco, donde saem salários e despesas, também tem alimentado inúmeros escritórios de advocacia chamados sem qualquer concurso a prestarem serviços jurídicos avulso, sendo que a conta com advogados supera mesmo os 2 milhões de euros.

Jaime Antunes, um dos credores do que foi o BPP, garante que só em salários
e despesas, a comissão liquidatária já gastou 5 milhões de euros
Jaime Antunes não tem papas na língua: “A comissão liquidatária está sentada em cima de 700 milhões de euros em depósitos, gasta dinheiro com salários e com os mais finos escritórios de advogados e não presta contas a ninguém desde o último trimestre de 2024, nem ao Banco de Portugal nem ao Tribunal do Comércio”, acusa.
Os 700 milhões já deviam ter sido distribuídos. Em finais do ano passado, os liquidatários anunciaram que iam repartir 75 milhões pelos credores. Mas nem isso. Não pagam, desculpando-se por, segundo eles, ainda não terem completada a lista final de clientes credores.
Ao longo destes 16 anos, a comissão, cujos salários pingam religiosamente, tem produzido sem pressas um vasto montão de papelada que já se derrama por quase 500 volumes. Mas quem conhece os meandros, assevera que a barafunda é tanta que há o risco de credores virem a receber duas vezes ou mais.