A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) realizaram, na manhã desta sexta-feira, a Operação “Intocáveis III”, com o objectivo de desarticular o núcleo financeiro da milícia que actua em Rio das Pedras, na Zona Oeste da capital fluminense. A acção resultou na prisão de seis suspeitos apontados como responsáveis pela gestão económica da organização criminosa.
De acordo com as investigações, os detidos integravam a estrutura encarregada de arrecadar dinheiro ilícito, administrar recursos, efectuar pagamentos internos e ocultar valores por meio de esquemas de lavagem de dinheiro, incluindo o uso de empresas de fachada e de terceiros para movimentações financeiras. Para as autoridades, trata-se de uma ofensiva estratégica, que procura enfraquecer o grupo ao atingir o seu principal pilar de sustentação: o dinheiro.
A milícia de Rio das Pedras
A milícia que controla Rio das Pedras é considerada uma das mais antigas e estruturadas do estado do Rio de Janeiro. O grupo consolidou-se ao longo de décadas como uma organização paramilitar que exerce domínio territorial e económico sobre a comunidade, impondo regras próprias e substituindo, na prática, a presença do Estado.
Diferentemente das facções ligadas ao tráfico de droga, esta milícia construiu o seu poder sobretudo através da extorsão sistemática de moradores e comerciantes e do controlo de serviços essenciais. Investigações apontam que a organização explora actividades como fornecimento irregular de gás, água, internet, transporte clandestino, além de negócios imobiliários informais e cobrança de taxas de “proteção”. Quem se recusa a pagar ou a seguir as ordens impostas fica sujeito a ameaças, violência ou expulsão da área.
Historicamente, a milícia de Rio das Pedras serviu de modelo para outros grupos semelhantes na Zona Oeste, com uma estrutura hierárquica definida, divisão de funções e forte preocupação em manter uma aparência de legalidade por meio de negócios formais usados para encobrir recursos de origem criminosa.
O foco no dinheiro
Segundo a Polícia Civil, a actual fase da operação representa um avanço no combate ao grupo, ao concentrar-se não apenas no braço armado, mas na engenharia financeira que garante a sobrevivência da milícia. Ao atingir quem gere o dinheiro, as autoridades procuram reduzir a capacidade da organização de pagar integrantes, corromper agentes, adquirir armamento e manter o controlo sobre o território.
A investigação prossegue para identificar outros envolvidos, mapear o destino dos recursos desviados e apurar possíveis ligações com empresas e actividades económicas fora da comunidade. Para o Ministério Público, enfraquecer a base financeira da milícia é essencial para quebrar o ciclo de poder que mantém Rio das Pedras sob domínio criminoso há anos.
A operação segue em curso, e novas diligências não estão descartadas.