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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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Carlos Reis

Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais são politicamente inequívocos. A vitória clara de António José Seguro é sobretudo o...

Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais são politicamente inequívocos.

A vitória clara de António José Seguro é sobretudo o resultado de um mérito pessoal que se traduziu numa coligação de eleitores, muito mais ampla que a força eleitoral própria do PS.

Em contraste, André Ventura revelou consolidação eleitoral, não conseguindo ir além do patamar já alcançado nas últimas legislativas, ficando agora a cerca de 120 mil votos desse resultado. 

A leitura política é simples: dos dois candidatos, um candidato somou apoios, o outro apenas repetiu.

Estes são os dados de partida para a segunda volta, que deve ser entendida como aquilo que constitucional e politicamente é: uma nova eleição, com outra dinâmica, outros incentivos e um novo quadro de decisão para os eleitores. 

E, ao contrário do que uma análise mais apressada e simplista poderá sugerir, esta dinâmica não se organizará necessariamente em torno do tradicional binómio esquerda-direita. 

Dadas as personalidades em confronto, as suas biografias e as idiossincrasias das suas respetivas ambições, o verdadeiro dilema que se colocará aos eleitores será o de considerarem desta vez, neste acto eleitoral, como mais decisiva a escolha entre a defesa da estabilidade institucional ou o risco da introdução de um fator permanente de instabilidade nos próximos anos.

Importa recordar um dado essencial do nosso regime: quem governa é o Governo. O Presidente da República não governa. Contudo, pode condicionar, bloquear e, em casos extremos, impedir a governação. 

É neste plano que deve ser feita a avaliação, em particular pelos eleitores da AD.

Neste contexto, a opção da direção do PSD de não se envolver ativamente na disputa presidencial, no quadro da segunda volta, é politicamente prudente. No quadro constitucional vigente, as maiorias presidenciais não existem, dissolvem-se no dia seguinte à eleição. 

As maiorias que contam são as maiorias parlamentares. Por isso, a prioridade estratégica do PSD (e do CDS), deve ser a de assegurar a estabilidade governativa, o cumprimento do seu Programa, e a apresentação de resultados concretos das suas políticas durante a actual legislatura.

Para Portugal resolver os seus problemas neste quadro internacional complexo e difícil, não lhe pode começar por adicionar novas e sucessivas crises políticas. 

Portugal não pode simplesmente ter eleições todos os anos. 

A decisão quanto ao nosso futuro está agora nas nossas mãos.