Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais são politicamente inequívocos. A vitória clara de António José Seguro é sobretudo o...
Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais são politicamente inequívocos.
A vitória clara de António José Seguro é sobretudo o resultado de um mérito pessoal que se traduziu numa coligação de eleitores, muito mais ampla que a força eleitoral própria do PS.
Em contraste, André Ventura revelou consolidação eleitoral, não conseguindo ir além do patamar já alcançado nas últimas legislativas, ficando agora a cerca de 120 mil votos desse resultado.
A leitura política é simples: dos dois candidatos, um candidato somou apoios, o outro apenas repetiu.
Estes são os dados de partida para a segunda volta, que deve ser entendida como aquilo que constitucional e politicamente é: uma nova eleição, com outra dinâmica, outros incentivos e um novo quadro de decisão para os eleitores.
E, ao contrário do que uma análise mais apressada e simplista poderá sugerir, esta dinâmica não se organizará necessariamente em torno do tradicional binómio esquerda-direita.
Dadas as personalidades em confronto, as suas biografias e as idiossincrasias das suas respetivas ambições, o verdadeiro dilema que se colocará aos eleitores será o de considerarem desta vez, neste acto eleitoral, como mais decisiva a escolha entre a defesa da estabilidade institucional ou o risco da introdução de um fator permanente de instabilidade nos próximos anos.
Importa recordar um dado essencial do nosso regime: quem governa é o Governo. O Presidente da República não governa. Contudo, pode condicionar, bloquear e, em casos extremos, impedir a governação.
É neste plano que deve ser feita a avaliação, em particular pelos eleitores da AD.
Neste contexto, a opção da direção do PSD de não se envolver ativamente na disputa presidencial, no quadro da segunda volta, é politicamente prudente. No quadro constitucional vigente, as maiorias presidenciais não existem, dissolvem-se no dia seguinte à eleição.
As maiorias que contam são as maiorias parlamentares. Por isso, a prioridade estratégica do PSD (e do CDS), deve ser a de assegurar a estabilidade governativa, o cumprimento do seu Programa, e a apresentação de resultados concretos das suas políticas durante a actual legislatura.
Para Portugal resolver os seus problemas neste quadro internacional complexo e difícil, não lhe pode começar por adicionar novas e sucessivas crises políticas.
Portugal não pode simplesmente ter eleições todos os anos.
A decisão quanto ao nosso futuro está agora nas nossas mãos.