Na semana que ficámos a conhecer o acordo que o Governo fechou para a Fórmula 1 regressar a Portugal, nomeadamente...
Na semana que ficámos a conhecer o acordo que o Governo fechou para a Fórmula 1 regressar a Portugal, nomeadamente para o Autódromo privado do Algarve, é obrigatório falarmos da tradição do circuito do Estoril e da importância e falta que faz ao panorama do desporto motorizado em Portugal. É inconcebível, com a gestão pública da Parpública nos últimos anos, termos chegado a uma situação de total abandono, de falta de gestão, de falta de cuidado e de falta de investimento, que culminou na interdição da bancada principal por falta de manutenção, e na limitação de uso por sucessivos incumprimentos, como resultado de uma ação judicial colocada por um famoso advogado na defesa de interesses imobiliários.
A especulação imobiliária e o ímpeto de construção de condomínios estão de mãos dadas, num esforço concertado para acabar de vez com o circuito, sempre com o espectro do ruído como pano de fundo. Um equipamento histórico e estratégico com enorme importância nacional e internacional, determinante para o turismo, para a economia, para a formação de talentos e para o emprego não pode ver a sua relevância questionada e muito menos posta em causa por alguns “novos” inquilinos.
O Autódromo do Estoril existe há décadas, não apareceu ontem, quem escolheu viver na Penha Longa, na sua envolvente, já sabia ou devia de saber que ali funciona uma infraestrutura desportiva de dimensão internacional. O País não pode reescrever a sua geografia económica ao sabor de protestos pontuais, nem cair na tentação de minorias ruidosas quererem cancelar um interesse coletivo.
Dito isto é aceitável uma mitigação de impactos, mas não é aceitável cancelar provas, cancelar eventos internacionais e cancelar toda uma nova ambição. É por isto que o Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, tem de liderar com coragem, encontrando uma solução rápida para o autódromo, conciliando interesses, defendendo o bem comum, sem ceder a bloqueios.