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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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Manuel dos Santos

A política transformou-se, cada vez mais, numa gestão profissional das expectativas. Quem percebe isso sobrevive; quem se deixa embalar pela...

A política transformou-se, cada vez mais, numa gestão profissional das expectativas. Quem percebe isso sobrevive; quem se deixa embalar pela própria propaganda acaba, regra geral, a pagar a fatura.

Foi por essa razão que li os resultados autárquicos do Chega como um sinal de alerta sério. Não uma derrota estrondosa, mas um aviso claro de que o ciclo de crescimento fácil pode ter terminado. Um início de turnover eleitoral, lento, mas consistente. Tudo indica que André Ventura terá feito leitura semelhante – e talvez por isso se explique a sua decisão apressada e politicamente errática de avançar para uma candidatura presidencial.

Ao afirmar que não quer ser Presidente da República, mas sim Primeiro-Ministro, Ventura expõe a fragilidade estratégica em que se encontra. Reconhece, implicitamente, que o futuro do partido depende menos da convicção ideológica e mais da sobrevivência eleitoral imediata. É uma fuga para a frente clássica, normalmente associada a cenários de lose-lose.

O Chega confunde-se hoje totalmente com o seu líder. E quando o líder entra num vórtice de voluntarismo e sobre-exposição, o partido segue atrás, sem rede. Ventura decidiu ir ao pote antes do tempo – ou foi empurrado para lá por falta de alternativas internas. O resultado previsível será o abandono progressivo de parte significativa do eleitorado mais ingénuo, ficando apenas um núcleo duro, marginal e pouco recomendável.

Em paralelo, a direita tradicional beneficia da conjugação de dois fatores: os erros acumulados do PS e a postura calculadamente serena de Montenegro.

Mantendo, no essencial, o “não é não”, o líder do PSD transmite previsibilidade, algo hoje escasso no sistema político.

Os elogios recentes à economia portuguesa, amplificados por uma comunicação social de matriz liberal, sugerem que esse caminho está a ser preparado. Um cavaquismo 2:0, adaptado aos novos tempos.

No segundo semestre de 2026 haverá a “prova do algodão”.

Até lá, com o novo quadro parlamentar mais estabilizado – um tripartidarismo exigente em vez do velho bipartidarismo – os perdedores do novo “normal” procurarão deslocar o conflito democrático para a rua.

Greves gerais precipitadas, protestos simbólicos e dramatização excessiva substituem a incapacidade de ganhar no Parlamento.

A recente greve geral é disso exemplo. Com um processo negocial ainda em curso, a decisão foi politicamente irresponsável e economicamente cara. Serviu sobretudo para sinalizar existência –PCP incluído – à custa de uma perda de PIB difícil de justificar.

O governo falhou na pedagogia da reforma laboral, é certo. Mas o comportamento das centrais sindicais, e em particular dos sindicatos da função pública, roçou o caricatural – “Sindicatos da Função Pública, “prolongam” greve geral para sexta feira” – proporcionando um fim de semana alargado aos seus associados.

Se a economia produtiva não puder aproveitar, que, pelo menos, aproveite a restauração e o comércio das grandes superfícies. Já não se perderá tudo.

Quando a espuma assentar, regressaremos à negociação séria e ao crivo parlamentar. Será então, já depois do previsível fracasso presidencial, que o Chega terá de escolher: responsabilidade ou irrelevância. A duplicidade não é sustentável.

Com um PS atordoado e sem rumo, abre-se espaço para uma estabilidade liberal, alinhada com a matriz política europeia. Um cavaquismo 2.0 – menos messiânico, mais pragmático.