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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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Alexandre Fonseca

As crises geopolíticas são hoje um dos principais fatores de risco para a economia global. Para além do impacto político...

As crises geopolíticas são hoje um dos principais fatores de risco para a economia global. Para além do impacto político e humanitário, os conflitos internacionais e as tensões entre blocos económicos influenciam diretamente o crescimento, a inflação, o investimento e a estabilidade financeira.

Do ponto de vista macroeconómico, o primeiro efeito visível é o aumento da incerteza. Em ambientes instáveis, empresas e investidores tendem a adiar decisões, reduzindo o investimento produtivo e penalizando o crescimento económico.

A inflação surge como um dos efeitos mais relevantes. Crises geopolíticas em regiões estratégicas elevam os preços da energia, dos alimentos e de matérias- primas essenciais, criando “choques” nos custos. Estes impactos pressionam os índices de preços, reduzem o rendimento real das famílias e colocam os bancos centrais perante um dilema entre controlar a inflação e apoiar a atividade económica.

As cadeias globais de valor também são afetadas. Restrições comerciais, sanções económicas e reconfiguração de rotas logísticas levam a aumentos de custos, menor eficiência produtiva e perda de economias de escala. A tendência para a relocalização ou diversificação de fornecedores, embora reduza riscos geopolíticos, implica custos adicionais no curto e médio prazo.

No setor financeiro, as crises aumentam a volatilidade dos mercados e alteram fluxos de capitais. Observa-se frequentemente uma valorização de ativos considerados seguros (veja-se a valorização do Ouro) e uma penalização das economias emergentes, mais vulneráveis à saída de capitais, à desvalorização cambial e ao aumento do custo de financiamento externo.

A resposta das políticas económicas é outro elemento central. Para mitigar os efeitos inflacionistas, os bancos centrais tendem a adotar políticas monetárias mais restritivas, com impacto negativo no crédito, no consumo e no investimento. Em paralelo, os governos recorrem a políticas orçamentais focadas em apoiar famílias e empresas, o que pode agravar desequilíbrios orçamentais (défices) e níveis da dívida pública.

A médio e longo prazo, as crises geopolíticas estão a contribuir para uma transformação estrutural da Economia global. A fragmentação do comércio internacional, a menor integração entre blocos económicos (ou mesmo desagregação) e o reforço da autonomia estratégica em áreas como energia, tecnologia e defesa estão a redefinir padrões de crescimento e competitividade. Para as economias europeias, os impactos são amplificados pela dependência

energética e pela elevada exposição a efeitos externos. A resiliência económica passa, assim, por mais investimento em medidas que estimulem a produtividade, a procura pela diversificação de Mercados, uma rápida transição energética e políticas que reforcem a competitividade num contexto internacional cada vez mais fragmentado.

Com efeito, as crises geopolíticas afetam diretamente a Economia ao elevarem a incerteza e retraírem investimento, comércio e consequentemente o crescimento. Conflitos como as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, bem como a rivalidade entre grandes potências mundiais (EUA, China e Rússia), têm levado ao aumento de custos logísticos, à fragmentação do comércio global e à adoção de políticas protecionistas unilaterais, onde a Europa tem perdido competitividade em toda a linha.

Este contexto é, pois, propício para ambientes inflacionistas e para elevada pressão sobre bancos centrais e as finanças públicas, consolidando um ambiente de baixo crescimento e elevada instabilidade, como aquele a que temos vindo a assistir na Europa e que não parece ter um fim à vista.

Alexandre Fonseca é empresário, gestor e business advisor, administrador do TagusPark e presidente do Conselho Estratégico da Economia Digital da CIP