Não sei que idade teria António Leitão Amaro em 1993, nem sei mesmo se já teria nascido. Mas partindo do...
Não sei que idade teria António Leitão Amaro em 1993, nem sei mesmo se já teria nascido. Mas partindo do princípio que sim, que já por cá andava, presumo que ainda não tivesse idade para lembrar-se do episódio que conduziu à demissão de Carlos Borrego, então ministro do Ambiente, a quem Cavaco Silva, de um momento para o outro, indicou a porta de saída do governo.
A história conta-se em duas penadas, e revela em si mesma uma forma e um jeito de governar que fez escola. Apesar das muitas tentativas de imitação ao longo dos anos por parte de quem passou pela residência de S. Bento, nunca alguém conseguiu aproximar-se, sequer ao de leve, daquilo que ficou conhecido como ‘o cavaquismo’.
Segundo constava na altura, Carlos Borrego era um discreto professor, formado no Técnico, com um doutoramento na área do Ambiente tirado em Bruxelas, e que Cavaco Silva tinha ido buscar a Aveiro, onde era vice-reitor – pessoa estimável, profissional capaz, pouco experiente politicamente, dizia-se então.
Em Junho de 1993, não estava ainda há dois anos como ministro, em Braga, onde presidia a uma cerimónia pública, Borrego resolveu contar uma anedota que, além de não ter qualquer graça, ‘brincava’ com a morte de 25 doentes hemodialisados que meses antes haviam sido vítimas de uma intoxicação por alumínio, atribuída à má qualidade da água da rede pública.
Escusado será dizer que bastaram umas breves horas para que Cavaco decretasse a ‘morte política’ do seu ministro, demitindo-o sem apelo nem agravo, e praticamente sem dar tempo e oportunidade à oposição para que pedisse a sua cabeça – foi aquilo a que normalmente se chama ‘um ar que lhe deu’…
Admito que nesta altura os leitores estarão a perguntar-se sobre o que é que esta história dos anos 90, envolvendo um ministro e uma anedota, tem a ver com Leitão Amaro, este ministro nos dias de hoje… Tem, sim, neste caso concreto, a anedota. A única diferença em tudo isto é que, enquanto Borrego foi demitido por contar uma anedota, ao ver há dias o famoso vídeo protagonizado por Leitão Amaro fiquei sem perceber porque é que este, que é, ele mesmo, uma anedota, ainda não foi demitido…