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Nicolae Sena Santos

Num momento em que a economia mundial se reorganiza em torno de grandes blocos comerciais e cadeias de valor globais...

Num momento em que a economia mundial se reorganiza em torno de grandes blocos comerciais e cadeias de valor globais cada vez mais competitivas, a Europa enfrenta uma escolha estratégica clara: abrir-se ao mundo ou fechar-se sobre si própria. Os acordos comerciais recentemente concluídos entre a União Europeia e o Mercosul, bem como com a Índia, apontam decididamente para a primeira opção. E fazem-no com vantagens evidentes para os europeus, sobretudo quando comparadas com o caminho oposto seguido pelo Reino Unido após o Brexit.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul cria uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, ligando cerca de 450 milhões de europeus a mais de 260 milhões de sul-americanos. Para a Europa, os benefícios são claros: redução de tarifas para produtos industriais, automóveis, maquinaria, produtos farmacêuticos e serviços; regras comuns em matérias como concorrência, ambiente e direitos laborais.

Para os consumidores europeus, isso traduz-se em mais escolha e preços mais baixos. Para as empresas, especialmente pequenas e médias, significa acesso facilitado a mercados em crescimento, diversificação de exportações e menor dependência de parceiros instáveis ou excessivamente dominantes. Num mundo marcado por choques geopolíticos e disrupções logísticas, esta diversificação é uma forma de resiliência económica.

Ainda mais decisivo poderá ser o acordo de comércio livre com a Índia. Com mais de 1,4 mil milhões de habitantes e uma classe média em rápida expansão, a Índia representa um dos maiores potenciais de crescimento económico do século XXI.

Para a Europa, um acordo com a Índia significa acesso privilegiado a um mercado jovem, dinâmico e tecnologicamente ambicioso, bem como novas oportunidades em sectores como energia limpa, digitalização, saúde e infra-estruturas. Para os cidadãos europeus, isto traduz-se em mais investimento, mais emprego qualificado e maior competitividade global.

Ao contrário das visões proteccionistas, a experiência europeia demonstra que comércio regulado e acordos equilibrados reforçam a prosperidade interna, desde que acompanhados por políticas sociais e industriais adequadas.

O contraste com o Reino Unido é elucidativo. Desde a sua saída da União Europeia, o Reino Unido tem enfrentado barreiras comerciais acrescidas, custos administrativos elevados, perda de acesso a um dos mais dinâmicos mercados do mundo e uma quebra significativa no comércio de bens e serviços.

Estudos independentes apontam para uma redução estrutural do comércio britânico, menor atracção de investimento estrangeiro e um impacto negativo duradouro no crescimento económico e nos rendimentos reais. Sectores como a indústria transformadora, a agricultura, os serviços financeiros e a ciência perderam escala, influência e previsibilidade. O resultado é claro: menos prosperidade, menos oportunidades e mais incerteza.

O Brexit demonstrou, de forma concreta, que sair de um grande espaço económico integrado empobrece, enquanto participar activamente nele multiplica possibilidades.

Os acordos com o Mercosul e a Índia não são apenas instrumentos comerciais: são decisões políticas sobre o lugar da Europa no mundo. Reforçam a autonomia estratégica europeia, promovem padrões regulatórios elevados e projectam influência económica num contexto global cada vez mais competitivo.

Para os europeus, a mensagem é simples: mais comércio inteligente significa mais crescimento, mais empregos e mais prosperidade partilhada. O Brexit mostrou o preço do isolamento. Os novos acordos mostram o valor da cooperação.

A Europa tem tudo a ganhar em continuar aberta — e muito a perder se esquecer essa lição.