A tempestade que sofremos e a instabilidade atmosférica dos últimos dias provocou vítimas mortais que temos mais que tudo de...
A tempestade que sofremos e a instabilidade atmosférica dos últimos dias provocou vítimas mortais que temos mais que tudo de lamentar. Nas últimas semanas uma precipitação constante tem saturado os solos, provocando cheias e inundações, dispondo árvores de grande porte com um risco acrescido de queda, demonstrando que perante uma tempestade com ventos que chegaram a 178 km/h não há nada que resista.
Na zona Centro, em particular, estamos a assistir a uma emergência nacional com falta de energia e falta de comunicações que tem colocado à prova os nossos meios de socorro e de emergência. A nossa proteção civil, nomeadamente a dos municípios, tem tido uma evolução notável, de proximidade, de rápida intervenção, que demonstra bem a dedicação que o poder local tem colocado neste domínio, nomeadamente na entreajuda e na solidariedade local. Como exemplo concreto, várias corporações de bombeiros do concelho de Cascais deslocaram-se no próprio dia para a zona Centro do País, fortalecendo uma rede nacional de auxílio. Se isto faz parte do “sistema” que muitas vezes é criticado então essa crítica é mesmo grotesca.
Os municípios conhecem o território, os riscos e as populações, sendo por isso decisivos na prevenção, na preparação e na resposta às emergências. É ao nível local que se faz grande parte da prevenção, através do ordenamento do território, da gestão florestal, da manutenção de infraestruturas e da sensibilização das populações. Em situação de crise, os municípios são o primeiro nível de resposta organizada, assegurando a ativação dos planos municipais, a coordenação dos meios locais e o apoio imediato às populações. Um sistema nacional eficaz depende de serviços municipais de proteção civil capacitados, com técnicos qualificados, planeamento atualizado e meios adequados. Reforçar o poder local não enfraquece a coordenação nacional, pelo contrário.
No ano passado sofremos com a depressão Martinho e no espaço de um ano novamente com a tempestade Kristin. Estas ocorrências são cada vez mais frequentes, mais instáveis, e mais destruidoras, provando que as alterações climáticas existem mesmo e estão para ficar.
Estamos em guerra com as alterações climáticas.