Frase do dia

  • ''Não compreendo o que estás a fazer na Gronelândia'', Emmanuel Macron para Donald Trump
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José Paulo Fafe

Luís Marques Mendes é porventura a primeira grande ‘vítima’ de uma sociedade a quem, cada vez mais, afinal, mais importa...

Luís Marques Mendes é porventura a primeira grande ‘vítima’ de uma sociedade a quem, cada vez mais, afinal, mais importa ser do que parecer, uma sociedade lesta em apontar o dedo, a julgar, e a condenar – no fundo está a ser o alvo preferencial de um escrutínio ético-moral que ele próprio sempre ‘cavalgou’ e usou como bandeira política.

Marques Mendes é hoje um homem acossado, ferido, à defesa. Ontem, no último debate televisivo que juntou todos os candidatos a Belém, a tensão de Mendes era evidente, e nem os muitos anos passados nos ‘plateaus’ televisivos ou o à-vontade que todos lhe reconhecemos à frente das câmaras foram suficientes para disfarçar o desconforto que sentia, principalmente frente a Henrique Gouveia e Melo.

Visivelmente, nas últimas duas semanas, Mendes perdeu aquilo que mais importante é numa pugna eleitoral, o saber conduzir a agenda, o liderar o debate público, o fazer os competidores ‘correr’ atrás dele. Sem discurso, limitando-se, quando as sucessivas acusações, insinuações e suspeitas lhe deixavam tempo para isso, a lançar uns lugares-comuns em jeito de ‘números’, sem que daí saísse uma única ideia sólida que fosse (aquela do jovem no Conselho de Estado é no mínimo patética…), Mendes esteve sempre mais preocupado em defender-se do que em afirmar-se, deixando-se assim enredar na teia que lhe estenderam, ficando prisioneiro de um passado recente que, por muito que o tentasse explicar, o passou a aprisionar e a manietar. 

O erro de Mendes e da sua estratégia foi em grande parte assentar a sua campanha na seriedade, na questão da ética e da experiência. Quando, principalmente após o debate com Gouveia e Melo, essas mesmas seriedade e ética, as suas, foram questionadas, e quando, à defesa, se viu obrigado a justificar-se, o candidato governamental perdeu o norte, ficou sem discurso, faltou-lhe o propósito. Um erro pueril, infantil, só possível a quem julgou que bastava apenas agitar o estandarte da experiência e da seriedade para chegar a Belém.

Com uma campanha desenxabida, pobre em ideias, ‘velha’, mais a parecer que corre para uma reeleição do que para uma primeira eleição, Mendes está a ser vítima de si próprio, de uma arrogância política e intelectual que foi deitada por terra logo na primeira suspeição, e quando, com sucesso, como se de um ‘boomerang’ se tratasse, lhe conseguiram ‘colar’ o rótulo do facilitador, do homem dos jeitinhos e das negociatas – uma imagem fatal nos tempos que vivemos.

A pouco mais de dez dias das eleições de 18 de Janeiro, Luís Marques Mendes está agora sem rumo, com uma campanha desgovernada, sem rei nem roque, a aguardar um ‘milagre’ que já nem o ‘velho’ Cavaco, ou um Luís Montenegro, lhe podem oferecer. Quanto mais não seja, porque ao primeiro deles falta um peso e uma importância que julga ter, e ao segundo, preocupa mais saber como escapar aos óbvios e naturais estilhaços de uma derrota eleitoral, do que propriamente dar a mão a quem ele já antevê fora da corrida.