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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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João Vasco Almeida

O Instituto Europeu para o Estudo da Coesão Social publicou há dias um relatório que estabelece, com precisão notarial, os...

O Instituto Europeu para o Estudo da Coesão Social publicou há dias um relatório que estabelece, com precisão notarial, os 47 momentos anuais em que o cidadão comum deve experimentar felicidade. É um trabalho sério, financiado por fundos comunitários.

Acaba o Natal, e mal os magos viram costas há já máscaras de entrudo à venda nas lojas chinesas e supermercados gigantes. Passa-se da manjedoura para a cabeça de cavalo, com a tranquilidade do repetitivo. Esta transição, antes considerada indecorosa, é agora vista como eficiência comercial. Os economistas chamam-lhe «optimização do ciclo festivo». Os padres não dizem nada porque também eles têm calendários para preencher.

Acaba o Carnaval e pensamos de novo numa quaresma infinda, a que se segue o 25 de Abril, o 1º de Maio, o 13 de Maio, as festas dos Santos, a final da Taça dos Campeões. Um ser humano, hoje, não precisa conquistar liberdade para ter dias felizes. As Igrejas e o Estado encarregam-se de lhe marcar dia e hora para sorrir ou chorar. Uma completa e bela pincelada de felizardia coerciva. Maça-me, isto. A tirania dos dias marcados é a única que se paga com IVA e ainda assim ninguém protesta.

A Europa, que ainda ia tendo alguma personalidade, adoptou a máxima «os cidadãos burros merecem palha, pau e cenoura». É na palha que estão as felicidades. Mais o dia do pai, da mãe e do espírito santo. E aquele dia ridículo em que se apagam as luzes durante meia-hora para salvar o planeta — gesto que equivale, em termos práticos, a tentar esvaziar o Atlântico com uma colher de chá, mas que nos faz sentir virtuosos enquanto jantamos à luz das velas compradas precisamente para essa ocasião.

Há quem argumente que estas celebrações colectivas criam laços sociais. É verdade. Do mesmo modo que o rebanho também tem laços sociais quando segue para o matadouro. A diferença é que as ovelhas não compram bilhetes antecipadamente nem fotografam a experiência para redes sociais inexistentes.

Seria bom, num ano, limpar tudo e deixar a coisa profana e espontânea. Com uma limpeza de memória e um apelo ao subconsciente. A ver no que dava a maleita. Talvez descobríssemos que a verdadeira festa é aquela que não tem data marcada, que não aparece em calendários litúrgicos nem agendas governamentais. Aquela que acontece numa terça-feira qualquer, sem aviso prévio, sem máscaras à venda ou hinos oficiais.