Frase do dia

  • ''Perdemos com o Sporting porque o futebol é um desporto de merda'', Luis Enrique
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Luís Campos Ferreira

Normalmente, antes de a água começar a ferver, são visíveis pequenas bolhas de ar que sobem do fundo do fervedor....

Normalmente, antes de a água começar a ferver, são visíveis pequenas bolhas de ar que sobem do fundo do fervedor. Quem não está atento, só repara quando a água entra em ebulição e transborda, provocando aquela inundação no fogão. À semelhança, nas relações internacionais, os sinais de mudança raramente escapam aos mais atentos, manifestando-se através de variações de temperatura graduais. Paralelamente, no passado dia 4 de dezembro, a administração Trump publicou a nova “National Security Strategy of the United States of America, November 2025”. Este plano, publicado em cada mandato presidencial, serve para dar a conhecer ao mundo a estratégia externa de Washington.

No documento, com 32 páginas, cuidadosamente elaborado, a Europa surge em destaque, mas não para ser propriamente elogiada. A visão americana para o velho continente, ali plasmada, repete algumas das queixas habituais, como o baixo investimento europeu em defesa ou a estagnação económica.

Apesar do tom crítico, o documento reconhece a importância estratégica da Europa para os Estados Unidos. Realça o peso dos centros industriais e tecnológicos, o dinamismo dos setores de investigação e, sobretudo, a centralidade da relação económica transatlântica. Aqui chegados, há duas dimensões chave que importam considerar no relatório.

Por um lado, a parte estratégica, que recorre a conceitos um pouco indeterminados e que não nos dão propriamente uma visão clara sobre o plano de ação americano, como “cultivar a resistência à trajetória atual da Europa dentro das próprias nações europeias” (“Cultivating resistance to Europe’s current trajectory within European nations”) ou “incentivar o ressurgimento do espírito patriótico europeu” (“America encourages its political allies in Europe to promote this revival of spirit, and the growing influence of patriotic European parties indeed gives cause for great optimism”). Por outro lado, Washington apresenta também uma série de diagnósticos, como a perda de peso económico global, regulamentação sufocante, erosão das soberanias nacionais, políticas migratórias descontroladas, censura à liberdade de expressão e uma crise de identidade. Aqui impõe-se a pergunta: será que o presidente americano tem razão no diagnóstico? Será mesmo esta a Europa de que nos fala a administração Trump, um continente em crise de identidade? Ora, tão errado como tomar a aliança transatlântica por garantida, seria não fazer uma introspeção só porque a crítica chega de fora.

No fundo, este documento diz muito sobre a estratégia americana, mas os europeus devem vê-lo de outra forma. Cabe-nos interpretá-lo não como um guião imposto de fora, mas como o prefácio de uma estratégia europeia renovada, capaz de responder às fragilidades que nos são apontadas.