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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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Jorge Morais

O barulho que se faz neste país com conversa de xaxa! O poder de cunhar faladura, antigamente exclusivo de catedráticos e...

O barulho que se faz neste país com conversa de xaxa!

O poder de cunhar faladura, antigamente exclusivo de catedráticos e taxistas, está hoje ao alcance de qualquer um, em profusão e intensidade. Ninguém quer ficar calado (nem eu, pelos vistos).

Como o exemplo vem sempre de cima, o papagaio-mor do reino dá o tom à palração e trata de nos invadir a casa de manhã à noite, explicando a nuvem que passou, anunciando a nuvem que passará, analisando os analistas, multiplicando-se nos jornais, nas televisões, nas selfies, nas redes associais, matraqueando o éter e ecoando pela estratosfera do planeta dos macacos.

Quem o ouve e contesta com a cabeça em água, como eu, tem também suas culpas no cartório – pois junta ao ruído primordial a chinfrineira comunicacional em que ele floresce. E a facilidade com que hoje qualquer pessoa pode lançar ao vento do ciberespaço seus amores e desamores, sem filtro e num instante, acaba por fazer de Portugal uma gaiola de papagaios esquizofrénicos, em que quanto mais alto palra um mais alto quer palrar o outro.

¿E quem nos pode censurar, se é só ruído o que a chamada comunicação social nos dá como modelo? Nas televisões, então, é o delírio total, com centenas de “comentadores” acotovelando-se para “comentarem” o que o vizinho já tinha “comentado”. Ainda se houvesse uma ponta de originalidade no chinfrim! 

O efeito multiplicador deste blablá demencial abarca todos os níveis da falação. Na política é demais. Agora mesmo, pré-candidatos a Presidente da República, apoiantes e opositores são às dúzias, em debates e pós-debates, cada um com o seu saco de nadas para despejar sobre o eleitor indefeso. E falam, e falam, e falam – basta verem um microfone à frente, praqui e pracolá, frito e cozido.

Quando isto se passa nos excelsos areópagos e entre as altas esferas, não se pode estranhar que cá por baixo, no chão da vida real, o eco seja ampliado à proporção por dá cá aquela palha. O português, antigamente comedido e até bisonho, tornou-se verborrágico, fala-barato e replicador. Nos transportes públicos, nos restaurantes, nos hipermercados, nas ruas, toda a gente tem algo a dizer pelos cotovelos sobre tudo. E é um algo encarrapitado a tão importante, tão urgente e momentoso, que tem de ser expresso imediatamente, palavrosamente, extensamente e em vários tons, não vá perder-se no olvido telefónico aquela pérola do pensamento, aquela pedra filosofal da existência. ¿Está, Vanessa? Já levaste o Bobi a passear?

Não vou ao ponto de dizer, como Herculano, que “dá vontade de morrer”. Mas apetece certamente acrescentar ao bruá dominante os decibéis terminais: ¿por qué no te callas?