Frase do dia

  • “O Mundo não espera por nós”, António José Seguro
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Miguel Relvas

<p style="text-align: justify; line-height: 115%;"><span style="font-size: 11.0pt; line-height: 115%; font-family: 'Avenir Next',sans-serif;">A escalada de tensão entre o Ocidente e o...

A escalada de tensão entre o Ocidente e o Irão voltou a colocar o mundo num estado de incerteza que não pode ser ignorado. Sempre que o equilíbrio geopolítico se fragiliza, os efeitos fazem-se sentir de imediato: a energia encarece, o transporte torna-se mais caro e as empresas retraem-se nas decisões de investimento. Para um país como Portugal, altamente dependente do exterior, este impacto é particularmente severo.

Mas a verdade é que os problemas não começam fora de portas. Portugal transporta fragilidades estruturais há demasiado tempo. A economia continua pouco flexível, presa a um modelo que gera baixo valor acrescentado e salários reduzidos. Faltam reformas profundas, desde logo na legislação laboral, que permitam maior competitividade e capacidade de adaptação num mundo em constante mudança.

A isto soma-se um Estado pesado e muitas vezes ineficiente, que não acompanha o ritmo das exigências globais. Em vez de estimular o crescimento, acaba por travá-lo, dificultando melhores condições de vida para famílias e empresas. Não basta, por isso, reagir às crises internacionais. É essencial mudar estruturalmente a forma como o país cria riqueza, gera emprego e remunera o trabalho.

No plano político, há igualmente um desafio que não pode ser adiado: o da transparência. Esta não pode ser tratada como uma opção ou um exercício retórico. Deve ser uma prática diária e exigente, assumida por todos os que exercem funções públicas, desde os partidos aos mais altos cargos do Estado.

Mais fiscalização, menos zonas cinzentas e um estatuto que aproxime a política da realidade profissional são passos decisivos para recuperar a confiança dos cidadãos. Porque quando a transparência falha, não é apenas a imagem dos políticos que sai afetada — é a própria democracia que se fragiliza.

Portugal precisa de clareza, de coragem reformista e de exigência ética. Sem isso, continuará preso a um ciclo de estagnação que o mundo, cada vez mais competitivo, não perdoa.

*resumo da responsabilidade do 24 Horas da intervenção

do autor no debate ‘CNN Fim de Tarde’ de dia 4 de Abril