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  • “O Mundo não espera por nós”, António José Seguro
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Carlos Reis

As recentes posições e zig-zags do Chega sobre a reforma do Código Laboral expõem uma preocupante incoerência política e uma...

As recentes posições e zig-zags do Chega sobre a reforma do Código Laboral expõem uma preocupante incoerência política e uma gritante falta de sentido de responsabilidade.

E são, objetivamente, um ato de traição aos seus eleitores de direita, desiludidos com a super-estrutura socialista, ainda hoje dominante no país, encravado por uma codificação legal herdada de oito anos de governação, que não o deixa progredir e impede mais liberdade económica aos agentes produtivos e mais segurança jurídica a quem quer investir e criar.

Num momento em que Portugal necessita de reformas estruturais sérias para aumentar a produtividade, atrair investimento e melhorar os salários reais, o partido Chega, sob a gritaria constante do seu líder, opta por “propostas” de forte ruído mediático, mas economicamente insustentáveis.

O exemplo mais flagrante é a proposta de redução da idade da reforma, uma medida que, a ser aplicada sem sustentação demográfica e financeira, colocaria uma pressão insuportável sobre a Segurança Social. Num país envelhecido, com baixa taxa de natalidade e ainda com níveis de produtividade abaixo da média europeia, esta ideia não é apenas irrealista é potencialmente destrutiva para as contas públicas e para as futuras gerações.

Isto não é sequer uma proposta: é um slogan.

Um slogan que, se por absurdo, fosse vertido pelo Parlamento em lei, rebentaria com o país.

Assim, ao invés de contribuir para um debate sério sobre a modernização do mercado de trabalho (incluindo maior flexibilidade, qualificação da força laboral e incentivos à inovação) o Chega revela uma postura errática que dificulta qualquer convergência séria e reformista.

Esta inconsistência afasta-o de uma possível e credível articulação com forças como o Partido Social Democrata, a Iniciativa Liberal ou o CDS Partido Popular, de modo a organizar politicamente a atual maioria de Centro e Direita, aritmeticamente constituinte.

Portugal precisa de uma agenda reformista sólida, capaz de gerar crescimento económico sustentável e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e libertar de tantos sacrifícios, as nossas classes médias.

Mas isso exige responsabilidade, coerência e visão estratégica atributos que, infelizmente, até este momento, salvo uma ou outra questão casuística, o Chega ainda não demonstrou possuir de forma consistente.

São 60 deputados, que por muito frenesim e barulho que façam, não se podem contar para construir algo de sério e duradouro.

Quem votou no Chega deveria pensar nisto.