Frase do dia

  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
Search
Liliana Reis

A história comum da época dos Descobrimentos revela-nos muitas virtudes dos nossos antepassados. Aquela que considero crucial para as nossas...

A história comum da época dos Descobrimentos revela-nos muitas virtudes dos nossos antepassados. Aquela que considero crucial para as nossas conquistas é a coragem. Na verdade, a nossa obra literária maior “Os Lusíadas” são um Tratado dessa virtude moral do nosso povo. Não se trata de uma ausência de medo ou de uma temeridade inconsciente, mas conhecendo os riscos e os limites, enfrentá-los mesmo assim. Do ponto de vista coletivo, a coragem adquiriu, na linguagem camoniana, um padrão de exigência para a ação.

A pergunta que se coloca é: Quando é que a cobardia nos capturou? Quando é que a coragem épica que celebramos se distanciou da coragem política que evitamos? Não consigo encontrar na História de Portugal, o momentum definidor dessa viragem, mas antecipo que o medo se instalou, definitivamente, quando os portugueses perceberam que, mesmo, com a Liberdade que Abril lhes devolvera, o “respeitinho” continuava a ser muito bonito. Por isso, a nossa cobardia começa quando expulsamos não apenas o conflito, mas também o risco, a decisão e a liberdade individual. Quando policiamos as nossas palavras, quando tememos a nossa associação política, quando deixamos de pensar por nós-mesmos e as nossas escolhas passaram a ser compensatórias e não ideológicas ou éticas.  Quando deixámos de ser livres, com medo do que possa advir desse exercício de bravura. E com o medo vem, necessariamente, a previdência, o pessimismo, a descrença, o ódio e a inveja. E isto passa-se na maior parte das instituições públicas deste país, sobretudo aquelas em que as lideranças são por eleição, como os Conselhos Gerais das Universidades. Ocorre, também, do poder executivo local ao poder executivo nacional.  Mas observa-se, também, no setor privado. Em todos constata-se um padrão: o temor da perda de emprego, de comprometer a progressão na carreira, ou de perder clientes cruciais e arruinar negócios. Esta “metastização” formal e informal do poder “por quem manda” por sucessão, tem-nos paralisado individualmente e comprometido o passado democrático de Portugal. Confiamos que o mito da epopeia passada nos absolve da cobardia presente. No “O Labirinto da Saudade”, Eduardo Lourenço revela-nos que não. Apenas hipoteca o futuro dos portugueses que virão.

Eu apoio o João Cotrim de Figueiredo porque quero viver num país, genuinamente, democrático e livre. Em que nenhum de nós seja penalizado pelo que pensa, pelo que diz ou pelas escolhas políticas que faz. Porque reconheço que falta cumprir-se Abril. Recuperando Fernando Pessoa porque “Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal.”

Liliana Reis, professora universitária, é apoiante da candidatura presidencial de João Cotrim de Figueiredo.