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  • “O Mundo não espera por nós”, António José Seguro
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Gonçalo Lage

Ontem Pedro Nuno Santos regressou ao parlamento com estrondo! Depois de se ter afastado como consequência de um dos piores...

Ontem Pedro Nuno Santos regressou ao parlamento com estrondo! Depois de se ter afastado como consequência de um dos piores resultados eleitorais de sempre do PS, chegando mesmo a terceira força política, eis que num exercício hercúleo de manter a sua coerência no que toca a volatilidade, instabilidade e inconsistência, voltou!

Em junho de 2025, Pedro Nuno Santos disse que ia ficar no Parlamento “para já”. Em outubro suspendeu o mandato por 180 dias. E em abril de 2026 regressa ao hemiciclo para fazer combate político ao Governo. Convém, por isso, chamar as coisas pelos nomes: não houve retirada, houve apenas uma pausa tática. Afastou-se por razões pessoais e profissionais, para ir trabalhar, mas agora voltou.

O trabalho deve ter corrido mal e então voltou, diz ele, por causa do Governo! Um Governo que classifica de medíocre e que tem membros ou “gente”, conforme disse, pouco séria. A razão é então combater o governo, mas no meio disto não se furtou a relembrar os 75.000€ em notas no gabinete do anterior Primeiro-Ministro e na pesada herança que o PS deixou ao país na área da habitação, saúde e função pública. Aqui teve um rasgo de lucidez invulgar pois é inegável que a habitação foi uma área muito maltratada nos 8 anos socialistas e as várias carreiras da função pública também sofreram muito, levando vários serviços públicos a uma falência organizacional.

Esqueceu-se, pois, do seu próprio legado, dos seus zig zags e das suas trapalhadas. Pedro Nuno Santos quis construir uma imagem de convicção, mas o seu percurso revela outra coisa, revela um padrão de incoerência. Foi assim na TAP, onde começou por se querer distanciar de decisões que depois se confirmou ter acompanhado e validado. Foi assim no aeroporto, onde quis impor uma solução sem respaldo político e acabou desautorizado pelo próprio primeiro-ministro. Foi assim na habitação, onde alertava para os riscos de interferir no mercado e mais tarde passou a defender soluções muito mais intervencionistas. E foi assim até na sua própria situação política: anunciou fim de ciclo, disse que a vida política partidária terminava, suspendeu o mandato e regressou quando lhe pareceu conveniente.

O problema não é mudar de opinião com humildade e explicá-lo ao país. O problema é apresentar cada mudança como se não tivesse havido posição anterior. Em Pedro Nuno Santos, demasiadas vezes, a firmeza do discurso contrasta com a volatilidade dos factos. E isso não é liderança, é inconstância política. Pedro Nuno Santos tem um problema de fundo: fala como homem de convicções, mas governa-se por conveniências.

(Daqui a três meses farei aqui uma breve resenha das iniciativas, intervenções e trabalho político desenvolvidos por Pedro Nuno na Assembleia da República, neste seu desejo de trabalho de combate ao governo).