Frase do dia

  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
Search
João Vasco Almeida

Enquanto Trump incendeia o Irão, enquanto Putin faz arder a Ucrânia, enquanto Israel invade a Cisjordânia, Portugal assinou esta semana...

Enquanto Trump incendeia o Irão, enquanto Putin faz arder a Ucrânia, enquanto Israel invade a Cisjordânia, Portugal assinou esta semana o acordo de «Exploração Sustentável da Lua e de Marte». Não invento, pesquise e sorria.

Bravos lusitanos, sempre a olhar para a frente – isso somos. Como o Montenegro e o Rangel já toparam o futuro, foram a correr assinar um papel que não vale um chavo – e que parece saído dos jogos florais da Sociedade Filarmónica União e Progresso. 

Vejo facilmente uma nave espacial construída nos estaleiros de Viana do Castelo, com um autocolante a dizer “Como novo”. O lançamento a partir dos Açores, com vento lateral e atraso de duas horas. O comandante a pedir calma porque “isto já aconteceu noutras missões”. Tudo muito sustentável, claro. Sustentável como uma dieta de sementes que não alimenta ninguém mas dá conversa no escritório.

Não gozo de fora. Eu também assino papéis que não leio, aceito termos e condições como quem aceita o destino. Sinto-me muitas vezes um comando de televisão nas mãos de uma criança cansada. Carrego nos botões todos e nada acontece. Talvez por isso admire esta confiança nacional. O mundo pode acabar em Outubro, mas nós já garantimos um lugar no cosmos. Não se sabe bem para quê, nem com quê, mas está assinado. Já conta.

Mas vamos só “nós”, que os senhores do Bangladesh ficam cá a penar. Toma! Viva o aVentura, porteiro da Discoteca Portugal. Há qualquer coisa de ternamente inútil nisto tudo. Uma fé burocrática no futuro, embrulhada em linguagem solene, aprovada por 59 países antes de nós. O filósofo búlgaro Stoyan Petrov, que ninguém leu porque nunca foi traduzido, dizia que “quando o gesto é pequeno demais, chamamos-lhe esperança”.

Assinar este protocolo é tão relevante como apanhar um isqueiro que caiu ao chão. Diz o leitor: tanta escrita para uma palhaçada destas. Pois, permita-me: é do isqueiro que nasce a luz. E em Marte, seremos o V Império do Isqueiro, tenho a certeza.