Frase do dia

  • ''Não compreendo o que estás a fazer na Gronelândia'', Emmanuel Macron para Donald Trump
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Manuel dos Santos

A atual conjuntura europeia é marcada por uma rutura geoestratégica profunda, acelerada pela imprevisibilidade da administração trumpiana e pelo colapso...

A atual conjuntura europeia é marcada por uma rutura geoestratégica profunda, acelerada pela imprevisibilidade da administração trumpiana e pelo colapso das antigas certezas atlânticas. A União Europeia enfrenta este novo mundo não como potência, mas como plateia: dividida, hesitante e estruturalmente mal preparada.

A falta de coesão política da UE é hoje o seu maior fator de fragilidade. Entre governos nacionais capturados por agendas domésticas e instituições comunitárias com poderes insuficientes, a Europa reage em vez de agir. Enquanto Washington, Pequim e Moscovo desenham tabuleiros de poder, Bruxelas discute regulamentos.

No plano económico, o atraso é igualmente preocupante. A estagnação da produtividade, a fragmentação dos mercados de capitais e a debilidade da política industrial tornaram a economia europeia vulnerável. Os relatórios Letta e Draghi de 2024 são claros: sem investimento maciço em inovação, energia, defesa e integração financeira, a Europa continuará a perder competitividade e influência. Persistir no conforto do status quo é escolher a irrelevância.

A este quadro soma-se a fragilidade das lideranças europeias: curtas de visão, longas de cálculo eleitoral, incapazes de explicar aos cidadãos que a soberania hoje só existe em escala continental. O vazio estratégico alimenta, por sua vez, o crescimento dos extremismos soberanistas, cuja promessa de “recuperar o controlo” é tão sedutora quanto ilusória.

A Europa precisa de responder, como entidade política una e em pé de igualdade, às pulsões imperialistas da China, da Rússia e dos Estados Unidos, recusando ser mero espaço de disputa entre impérios alheios.

São inadmissíveis e perigosas algumas situações de subserviência, ocorridas recentemente, em relação à actual liderança norte americana.

Mas a Europa deve também empenhar-se, através de políticas públicas “amigas” dos cidadãos e de permanente pedagogia política, baseada na transparência e na eficiência, em travar o crescimento dos extremismos cujo único objectivo é destruir ou enfraquecer as democracias liberais.

Para isso, é imperioso avançar para a reformulação do projecto europeu que terá de passar pela concretização progressiva de um modelo de federalismo próprio que dê à União instrumentos reais de política externa, defesa e orçamento. 

Mesmo que este percurso implique que alguns dos actuais membros no fiquem para trás.

Em paralelo, deve ser reforçada a dimensão europeia da NATO, não para substituir a aliança, mas para equilibrá-la e torná-la mais autónoma em relação aos caprichos americanos.

Finalmente, importa rejeitar a narrativa simplista de choque de civilizações que a atual administração dos EEU procura impor. O mundo não se divide entre campos morais estanques; divide-se entre quem organiza o futuro e quem se limita a comentá-lo.

Para a União Europeia, o tempo presente é, sem dúvida, a hora da verdade e a Europa, ou melhor os europeus, têm de escolher de que lado querem ficar na história.