Há políticos que tentam sempre a mesma manobra: escolher um inimigo, inventar uma clivagem e apresentar-se como salvador, sem nada...
Há políticos que tentam sempre a mesma manobra: escolher um inimigo, inventar uma clivagem e apresentar-se como salvador, sem nada resolver. Já foi “os socialistas contra os não socialistas”. Agora ensaia outra narrativa: “Elites (Seguro) vs Povo (Ventura)”. É uma tentativa desesperada de manter o palco aceso quando a realidade lhe começa a desligar os holofotes.
Mas há um problema sério para Ventura: o país já percebeu o truque. E, mais importante, começa a cansar-se dele.
O povo português não é uma multidão manipulável à espera de um grito. O povo português é feito de trabalhadores que acordam cedo, de famílias que fazem contas ao fim do mês, de jovens que querem futuro, de idosos que merecem respeito, de gente do interior que não aceita continuar esquecida. O povo é plural. Não cabe numa frase de propaganda. Não cabe numa raiva fabricada. E, sobretudo, não cabe num político que vive da provocação e do protesto sem soluções para existir.
Ventura não é o candidato do povo. Ventura é o candidato do conflito. Alimenta-se do choque, do insulto, da mentira repetida até parecer verdade. Precisa de um país permanentemente irritado para poder continuar a dizer que é indispensável. Quando não há crise, ele inventa-a. Quando não há inimigo, ele cria-o. Quando não há ameaça, ele fabrica-a. E depois, diz o que alguns querem ouvir.
É por isso que esta nova narrativa “elites vs povo” é tão perigosa e tão falsa. Perigosa porque tenta transformar portugueses em adversários. Falsa porque parte de uma fraude: a ideia de que Ventura representa os “de baixo”, quando na verdade representa apenas a sua ambição pessoal.
O povo não precisa de gritos. Precisa de respostas. Precisa de ser ouvido, respeitado, protegido.
E é precisamente aqui que António José Seguro se distingue.
Seguro não precisa de fingir que é do povo, porque a sua vida e o seu percurso falam por si, esteve na política e foi à sua vida académica e profissional. Seguro não representa o povo como figurante de campanha: trata-o como protagonista da democracia. Não é o homem do ataque permanente. É o homem do compromisso. Não é o homem da provocação. É o homem do respeito. Não é o homem do ódio. É o homem da tolerância.
O que Ventura chama “elite” é, na verdade, o vasto conjunto de pessoas ao centro e direita que ambicionava ter como apoiantes na segunda volta.
A grande diferença entre Ventura e Seguro não é ideológica, é moral. Um quer dividir o país para o dominar. O outro quer unir o país para o servir.
Ventura precisa que o país esteja em guerra consigo próprio. Seguro quer um país em paz consigo próprio.
Ventura quer uma democracia nervosa, permanentemente em confronto, permanentemente a gritar. Seguro quer uma democracia adulta, que debate com firmeza, mas com respeito. Ventura quer um Presidente que seja jogador de bancada. Seguro quer um Presidente que seja árbitro respeitado.
E há outra diferença que hoje se tornou evidente: Ventura está sozinho no seu método. Seguro está a ser acompanhado por uma mobilização rara, transversal, que nasce de um instinto de sobrevivência democrática. À esquerda e à direita, cresce a perceção de que não podemos normalizar o insulto, nem aceitar a mentira como método político, nem transformar o ódio em estratégia eleitoral.
O que está em causa não é apenas uma eleição. É a forma como vamos viver juntos.
A realidade política pode ser dura e ingrata, mas não tem de ser suja. Não tem de ser cruel. Não tem de ser uma máquina de humilhação pública. E não pode ser um laboratório de ressentimento onde se testa até onde se consegue empurrar a sociedade.
O povo português não merece ser usado. Merece ser respeitado.
E, por isso, é importante dizê-lo com clareza: o candidato do povo não é o que grita mais alto. É o que escuta melhor. Não é o que provoca mais. É o que quer contribuir para resolver mais. Não é o que aponta o dedo. É o que estende a mão. Não é o que promete castigos. É o que constrói esperança.
António José Seguro é o candidato do povo porque não precisa de fabricar inimigos para existir. Porque não precisa de deturpar ou mentir para convencer. Porque não precisa de odiar para mobilizar. Porque não precisa de dividir para ganhar.
E é isso que hoje, perante o ruído e a agressão, deve mobilizar o voto: a escolha entre um país em permanente conflito e um país com serenidade; entre o medo e a esperança; entre o insulto e a dignidade; entre o populismo e a democracia.
O povo não é uma arma. O povo é a razão de ser da política. E, quando a política volta a respeitar o povo, o povo volta a acreditar.
É tempo de escolher. É tempo de agir. É tempo de proteger a democracia, com coragem tranquila e com esperança firme. Já, a 8 de fevereiro.
António Galamba é apoiante da candidatura de António José Seguro