Nos últimos tempos, têm vindo a público várias sondagens, de diferentes empresas e universidades e, naturalmente, com amostras e metodologias...
Nos últimos tempos, têm vindo a público várias sondagens, de diferentes empresas e universidades e, naturalmente, com amostras e metodologias distintas. Por isso, não será muito prudente, ainda mais com a dispersão de intenções de voto e o mês que, ainda, nos separa do dia 18 de janeiro de 2026, projetar resultados de sondagens, estudos de opinião ou inquéritos para resultados finais, antecipando quem passará à segunda volta.
No entanto, todas as sondagens, à exceção da sondagem realizada pelo ISCTE-IUL para a SIC/Expresso, têm revelado uma dinâmica de crescimento de um candidato – João Cotrim de Figueiredo, contrariamente a todos os demais candidatos. A este respeito, alguns autores como Michael Lewis-Beck e Helmet Norpoth, referiram que o crescimento sustentado, revelado pelo momentum eleitoral, é um forte indicador de consolidação futura. Com efeito, os candidatos em crescimento tendem a atrair o maior número de eleitores indecisos. Não é o voto acrítico naquele “que vai vencer” mas um bandwagon racional “naquele que tem uma elevada viabilidade de vencer e ajusta-se melhor às minhas preferências”. O voto deixa de ser simbólico e passa a ser estratégico. Porque conta, verdadeiramente.
Para Norpoth, a tendência ascendente pode mesmo modificar as expectativas racionais dos eleitores, uma vez que alteram a avaliação dos custos-benefícios e o candidato passa a ser visto, realisticamente, como competitivo e possível vencedor. Por isso, todos os eleitores, que viam o Cotrim como “um bom candidato, mas um voto desperdiçado” começam agora a perceber que a verdadeira utilidade do voto na democracia, sobretudo em eleições diretas, em que não se observa a distribuição dos votos por círculos eleitorais, é aquela que se faz em total liberdade e consciência, naquele candidato que se considera ser o melhor para assegurar as funções garantidas constitucionalmente, como a Representação de Portugal ou o uso do poder de veto. Ademais, e num quadro eleitoral democrático, os eleitores não deverão cingir a sua escolha a “um mal menor”, seja por medo ou por descrença, mas sempre ao “bem maior” pela coragem e esperança num Futuro melhor para Portugal.
Liliana Reis, professora universitária e apoiante de João Cotrim de Figueiredo.