No próximo domingo vamos voltar a escolher um novo Presidente da República. E, tirando a excepção – repetidamente invocada –...
No próximo domingo vamos voltar a escolher um novo Presidente da República. E, tirando a excepção – repetidamente invocada – de 1986, desta vez os “donos da opinião publicada” não conseguiram fazer eleger, à primeira volta, quem queriam… para “descanso do sistema”!
Durante meses, os pretensos “novos donos disto” tentaram fazer de cada debate, de cada análise ou de cada comentário (quase sempre sem contraditório, como convém… não vá o “povo” ser sensível aos argumentos desses “intrusos”)… tentaram fazer desta eleição um verdadeiro plebiscito sobre quem queriam a representá-los, para que nada lhes fugisse do controle.
Foi assim, primeiro com Luís Marques Mendes… o “seu candidato”, até terem percebido que, com esse, não iam lá.
Percebida a impossibilidade, mudaram-se, de armas e bagagens, para Cotrim de Figueiredo, na esperança que difícil, difícil era fazer passar quem queriam à segunda volta.
Mas a coisa não correu bem e foram obrigados a mudar o seu apoio – a contra-gosto, percebeu-se, logo, à distância – para António José Seguro, a quem nunca reconheceram (no e pelo seu passado) uma única virtude… nem nunca lhes mereceu um elogio (que não circunstancial), enquanto líder do PS.
Muito poucos, foram, mesmo, os que, nos debates da primeira volta, o deram a vencer André Ventura, tal era a certeza (então) da sua irrelevância.
Percebe-se – agora – nesta segunda volta, as razões da fuga a todos os confrontos de ideias, bem como o silêncio a que votaram essa atitude anti-democrática, sem uma crítica, sequer, desses “donos da opinião publicada”,… não vão os apoios dados desaparecerem num ápice, com a exposição, na praça pública, da banalidade do discurso e da mão cheia de coisa nenhuma do (agora)… seu candidato.
Mas, ainda assim, do único frente-a-frente em que o candidato da “Nova Brigada do Reumático” (da direita portuguesa ex-anti-socialista) aceitou participar, ressalta a frase de André Ventura, ao prometer ser “um Presidente que defenda as pessoas e não os Governos”!!!
Passados uns dias apenas, com as tempestades a assolarem Portugal e com toda esta sucessão de atitudes inimagináveis e inexplicáveis do Governo, desde o Primeiro-Ministro até aos seus “ajudantes” (não, não é só a Ministra da Administração Interna, ou o da Economia, ou o da Presidência… são quase todos), percebeu-se o que significa não ter ninguém que não se preocupe com a sua sobrevivência política, mas, antes, com as pessoas!
Porque Luís Montenegro e os seus “acompanhantes” apenas se têm preocupado com a ocupação do poder e não com os portugueses,… e Seguro, para não perder os poucos votos que parece ter recebido do que resta do centro-direita, não pode anunciar ao que vai (como irá, certamente,… cá estaremos para ver)!
Ou seja, um só quer manter-se no poleiro, o outro só quer saltar para lá,… o primeiro sem nenhum projecto político visível, o outro sem poder anunciar ao que vai (meter o PS,… o seu PS, de novo, no poder, com o regresso do Bloco Central)!
Por isso, a quem, agora como antes, se opõe ao “centrão dos interesses”, chamam sempre de fascista!
É mais fácil… especialmente para quem não tem grandes ideias para apresentar.
Foi assim – como vou sempre lembrando – em 1978 e 1980 com Francisco Sá Carneiro… mas, ainda assim, ganhou!
Foi assim – também – em 1985 e 1987, com Aníbal Cavaco Silva… mas, ainda assim, ganhou!
Será assim, ainda, com André Ventura… que, um dia destes, ganhará!
Quanto ao PSD, continuo a pensar o mesmo que tenho dito e escrito,… e que só vai sendo confirmado com todos estes apoios a António José Seguro.
Com esta “romaria” – ao arrepio do que deveria ser a posição de todo o Partido –vapenas estão a antecipar as condições para o seu desaparecimento (irrelevância … para não chocar tanto os meus ex-companheiros).
Até porque ao vermos pessoas com grande responsabilidade na direção política do PSD a declarar o seu apoio a Seguro… isso só poderá significar uma campanha dissimulada de Montenegro.
Com todos essas declarações (especialmente com a última conhecida), o apoio do PSD ao ex-secretário-geral socialista passou a ser oficioso, senão mesmo oficial.
O PSD será, a muito curto prazo, um PS 2, e vai representar – é bom recordá-lo – aquilo que os “Opções Inadiáveis” defendiam, em 1978, e que levou à ruptura com Francisco Sá Carneiro.
Para todos eles, o PSD devia coligar-se com o PS.
Sá Carneiro preferiu o caminho contrário… e venceu!!!
Hoje, quem pensa como ele, só pode votar André Ventura.
Para termos… “um Presidente que defenda as pessoas e não os Governos”!!!
Domingo… eu vou votar André Ventura.