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  • “Trump nem saberá onde fica o Irão”, Miguel Sousa Tavares
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Manuel dos Santos

Se Eça de Queirós fosse vivo, dificilmente resistiria a escrever mais uma das suas farpas. O alvo seria óbvio: a...

Se Eça de Queirós fosse vivo, dificilmente resistiria a escrever mais uma das suas farpas. O alvo seria óbvio: a “glorificação” da campanha eleitoral para a escolha do próximo Presidente da República, cuja primeira fase terminou no passado domingo.

Chamaram-lhe uma campanha alegre.

Alegre?

Talvez no sentido pitoresco do termo. Triste, na substância — como lucidamente assinalou o consagrado jornalista Alberto Oliveira e Silva.

Com exceção de meia dúzia de momentos, quase sempre protagonizados pelo mesmo candidato, a campanha foi um mau contributo para a credibilidade dos políticos, para a dignificação das instituições e para o esclarecimento dos eleitores.

Depois da longa maratona de debates, não será fácil encontrar muitos cidadãos que tenham compreendido, com clareza, quais são, afinal, os poderes que a Constituição atribui ao Presidente da República. E isto apesar de esses poderes estarem bem definidos.

Mais grave ainda: na área onde esses poderes são mais relevantes — a política externa — imperou um silêncio ensurdecedor e politicamente comprometedor. O mesmo se pode dizer sobre as transformações em curso nas políticas económicas e sociais ou sobre as mudanças institucionais, cada vez mais urgentes, para a salvação da União Europeia. Temas centrais, tratados como assuntos secundários ou simplesmente ignorados.

Em contrapartida, o essencial parecia ser, dia sim dia não, exigir a demissão de um ministro de turno.

A campanha acabou assim por se transformar num palco de egos mal resolvidos, numa tentativa pouco convincente de reanimar opções políticas em declínio e numa antecipação de trunfos eleitorais, já a pensar num cenário de instabilidade política.

Instabilidade que todos rejeitam em público, mas que alguns parecem desejar em silêncio.

Ainda assim, como tem sucedido ao longo de 50 anos de democracia, no momento decisivo o povo revela sensatez. Dessa sensatez resultou a escolha possível na segunda volta: a defesa do regime democrático e da liberdade, representada por Seguro ou a tentativa de subversão do sistema, pela via eleitoral, protagonizada por Ventura.

Não é difícil prever qual será a escolha final. Isso não retira, porém, interesse à segunda volta, que continuará a ser — por mérito e feitio de um dos candidatos — uma “campanha alegre”, no sentido queirosiano da expressão.

Mesmo com um vencedor praticamente anunciado, importa conhecer a dimensão da derrota do vencido.

Depois do fracasso nas autárquicas, agravado pela perda regular de eleitos, estas eleições confirmam-se como um momento de desgaste do Chega. O partido perdeu cerca de 120 mil votos face às últimas legislativas, apesar de o universo de votantes ter aumentado e de o candidato ser exclusivamente o seu líder.

Só um resultado claramente acima dos 30% poderá disfarçar essa tendência e sustentar a narrativa de uma futura liderança da direita. No cenário mais provável, o risco de instabilidade, a curto prazo, será nulo e abrir-se-á espaço para uma necessária reformulação da actual arquitetura partidária.

O que, a acontecer, será uma mais-valia para o regime e um estímulo para o país.

É verdade que por vezes parece que vivemos tempos em que “os piores perderam o medo e os melhores perderam a esperança” (Hannah Arendt). Mas, felizmente, tudo indica que não será isso que se confirmará no próximo dia 8 de fevereiro.