Frase do dia

  • ''Perdemos com o Sporting porque o futebol é um desporto de merda'', Luis Enrique
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Vítor Silva

Preocupa-me bastante a situação que se vive na Venezuela. Sabemos que não é de hoje, no entanto, a situação está...

Preocupa-me bastante a situação que se vive na Venezuela. Sabemos que não é de hoje, no entanto, a situação está a agudizar-se e a ter contornos trágicos. Tenho falado com portugueses que residem na Venezuela. Com os que estão fora do país de uma forma mais aberta, com os que estão dentro da Venezuela claramente é uma conversa mais reservada, percebendo-se claramente o medo de falar. Mas a tónica dominante é que se vive com medo, com fome e sem as condições mínimas a que um ser humano deveria ter direito. Aqueles que estão fora e que têm os seus bens e famílias na Venezuela não sabem como voltar a casa devido à escassez de meios aéreos e de transporte para aquele país.

As condições de vida na Venezuela passaram, em pouco tempo, de uma prosperidade normal para a região à miséria absoluta para a maioria da população. Raramente a situação se deteriorou tão rapidamente num país que não está em guerra. A fome é agora generalizada e as pessoas estão a morrer de doenças que antes eram fáceis de curar. O colapso económico e político na Venezuela levou milhões de pessoas a fugir do país em poucos anos. Os desenvolvimentos políticos, humanitários, sociais e económicos na Venezuela resultaram numa catástrofe para a população civil. Não há medicamentos nem alimentos e a insegurança está generalizada. Mais de sete milhões de pessoas abandonaram o país. Muitas procuraram refúgio na Colômbia, no Peru e no Equador. Aí, enfrentam novas e difíceis provações. Muitas correm o risco de serem sujeitas a violência, abusos diversos e tráficos de pessoas. Ou seja, fogem da miséria, fome e da morte, mas com estas rotas de fuga ameaçam claramente a própria vida. Tudo isto é muito difícil principalmente para mulheres e crianças que são forçadas a caminhar durante semanas por terrenos inacessíveis devastados por gangues criminosos. Chegam a um novo país — numa situação extremamente vulnerável. Muitas carregam as suas feridas internas após serem atacadas, raptadas ou sujeitas a abusos.

Nos contactos que fiz, as pessoas falam sobre a fome, a falta de assistência médica, a insegurança, as ameaças e o medo e muitos já não veem outra solução que não seja abandonar o seu país. Muitos são ainda perseguidos politicamente e tem de escolher entre a prisão e o exílio. Ficou-me na mente uma expressão: “Fico a pensar quando é que tudo isto vai explodir de vez.”

Mas o grande problema é o regime de Nicolás Maduro. Os Estados Unidos da América e a Europa impuseram sanções ao país desde há muito tempo. No ano passado, Maduro foi declarado vencedor das eleições venezuelanas. A oposição venezuelana tinha indicado María Corina Machado como sua candidata à presidência – no entanto, as autoridades impediram-na de se candidatar. Corina recebeu mesmo o Prémio Nobel da Paz. O Comité Norueguês do Nobel justificou a sua escolha, entre outras razões, afirmando que a galardoada com 58 anos é “um dos exemplos mais extraordinários de coragem cívica na América Latina nos últimos tempos”. Ela não pôde viajar para Oslo para a cerimónia de entrega de prémios devido a preocupações de segurança, mas este prémio teve um grande impacto de alerta para o que se passa na Venezuela.

Artigo de opinião de Vítor Silva. Reside em Toronto, Canadá. Foi candidato a deputado nas últimas eleições pelo círculo fora da Europa.