Encenação, foi o que se começou a suspeitar pouco depois das notícias sobre o suposto golpe de Estado na Guiné-Bissau começarem a chegar ao domínio público. O 24Horas falou com o antigo jornalista Jorge Peixoto, que referiu precisamente essa possibilidade. Agora foi Fernando Dias, principal opositor de Umaro Sissoco Embaló, afirmar que tudo “não passa tudo de uma encenação”. Depois destas afirmações foi detido.
O candidato e líder do PAIGC explicou: “Não há golpe de estado da Guiné. Simplesmente o presidente da República inventou essa história porque percebeu que não tem condições para ganhar as eleições. Ele perdeu as eleições de acordo com o apuramento feito pela Comissão Nacional de Eleições e percebeu que amanhã será a leitura final dos resultados eleitorais, então decidiu inventar uma coisa denominada golpe de estado.”
Fernando Dias questiona ainda a legitimidade das acusações: “Porque é que o pessoal afeto à presidência da República assumiu todo o comando da operação? Quem da outra parte é que está lá dentro do golpe de estado? Nós não conhecemos ninguém, só pessoas ligadas ao presidente da República que vieram à sede da campanha para tentar nos prender. E felizmente, com o apoio da nossa juventude e todo o povo da Guiné-Bissau, conseguimos escapar.”
“Estamos a lutar para que o povo da Guiné saia às ruas e que a comunidade internacional se posicione. É fundamental que a União Africana e a CPLP compreendam que este ato não corresponde à verdade, e esperamos que assumam sua responsabilidade”, apelou por fim.
Contudo, após a publicação deste vídeo, surgiram notícias de que Fernando Dias teria sido mesmo detido, bem como todos os outros candidatos às presidenciais.
Elementos que apoiavam a campanha de Fernando Dias denunciaram, através das redes sociais, que este foi detido após uma “invasão brutal” à diretoria nacional da campanha. “Condenamos igualmente as detenções arbitrárias do Candidato Dr. Fernando Dias da Costa e do Líder da Coligação PAI-Terra Ranka, Domingos Simões Pereira”, lê-se no comunicado divulgado no Facebook de Simões Pereira.
Apoiantes de Fernando Dias acusam os militares de estarem a tentar interromper o processo eleitoral, que já estava na fase final de divulgação dos resultados provisórios, e apela à calma da população, pedindo à Comissão Nacional de Eleições que divulgue os resultados na data prevista, garantindo a vitória de Fernando Dias na primeira volta.
Do lado militar, o Alto Comando Militar anunciou ter tomado o poder no país após um tiroteio de meia hora, afirmando que depôs o Presidente Umaro Sissoco Embaló, encerrou todas as instituições e suspendeu o processo eleitoral em curso. Segundo os militares, a tomada de poder foi uma reação à descoberta de um plano de destabilização do país, envolvendo políticos nacionais e barões da droga.
O comunicado militar apela à calma e à colaboração dos cidadãos até que a situação seja esclarecida e haja condições para o retorno à normalidade constitucional.