“Será que os cães conseguem prever um AVC?”, é uma das questões mais populares no mundo animal, mas, ainda assim, a resposta mantém-se com alguma incerteza e, por isso, o 24Horas traz-lhe uma explicação clara e concisa de quem sabe do assunto.
A ligação entre humanos e cães vai muito além da companhia e do afeto. São vários os estudos que indicam que os cães são capazes de detetar sinais precoces de problemas de saúde nos seus donos, recorrendo ao seu apurado olfato e sensibilidade comportamental.
Segundo o veterinário Nuno Paixão, os cães podem, de facto, sentir algumas alterações no estado de saúde do ser humano.
“Quando há alterações da glucose sanguínea, eles conseguem detetar o odor da glucose. Isto quer dizer que, quando há eventos stressantes e muito intensos, os nossos organismos respondem com hormonas que são libertadas como adrenalina, a noradrenalina, o cortisol ou várias hormonas endógenas (…) eles também podem detetar alterações no ar que nós estamos a expirar e essa mudança do odor do ar acontece em vários problemas que muitos humanos podem ter também. Nomeadamente ataques cardíacos e saídas vasculares.”
O tema voltou a ganhar destaque depois de Nuno Markl ter sofrido um AVC, na semana passada. Horas antes do ocorrido, o rosto do ‘Taskmaster’ (RTP1) tinha partilhado fotografias da sua cadela, Chiclete, deitada sobre ele, explicando na legenda que ela não o largava por nada.
Para além da suspeita de que os nossos amigos de quatro patas conseguem pressentir um AVC, existem ainda relatos de que podem ir mais longe: identificar quedas de açúcar em pessoas com diabetes, antecipar crises epiléticas, tudo isto graças a capacidades naturais que os animais conseguem utilizar a seu favor para detetar este tipo de problemas.
“No entanto, não há nenhum trabalho que demonstre a sua eficácia na deteção de acidentes vasculares, independentemente de serem cerebrais ou serem outros acidentes vasculares. Mas, pela lógica, não me surpreende que seja possível, sim”, termina Nuno Paixão.