Paulo Raimundo, de 49 anos, elogiou a Presidência Aberta de António José Seguro (64), este domingo, dia 12, nas regiões do Centro afetadas pelas intempéries, mas aproveitou as declarações à Lusa para deixar fortes críticas ao Governo, acusando o executivo de Luís Montenegro (53) de transformar anúncios em propaganda sem resposta efetiva no terreno.
O secretário-geral do PCP afirmou que a iniciativa do chefe de Estado teve utilidade por ter ajudado a “expor a realidade” e a “desmontar a propaganda” governamental sobre os apoios às populações e instituições atingidas pelo mau tempo.
Falando após uma visita a uma associação de reformados e aos Bombeiros Mistos de Alcácer do Sal, no âmbito da iniciativa comunista ‘Intempéries 2026’, Paulo Raimundo sustentou que “as ajudas prometidas e muito anunciadas pelo Governo não chegam” e que é essa a realidade que continua a encontrar no terreno. Embora tenha garantido que a deslocação do PCP não foi feita “a reboque” da Presidência Aberta, admitiu que ambas se enquadram na mesma lógica de contato direto com as populações e de verificação concreta dos efeitos das tempestades.
O líder comunista considerou mesmo que a iniciativa presidencial “teve a vantagem de acabar por expor publicamente as contradições” e defendeu que, pelo peso institucional de Belém, pode também “pressionar a que os anúncios se transformem em realidade”. Nas críticas ao executivo, Paulo Raimundo falou numa “brutal operação de propaganda”, acusando Montenegro de querer passar a ideia de que o País está melhor, quando, na sua leitura, sucede precisamente o contrário.
Entre os problemas apontados, referiu atrasos nos apoios, dificuldades no acesso ao dinheiro prometido e tentativas das seguradoras de limitarem as suas responsabilidades. Raimundo ligou ainda estas críticas à agenda política nacional, prometendo levar ao parlamento o confronto entre “a realidade da vida” e a ação do Governo, que acusou de insistir em mais precariedade, desregulação de horários e pressão sobre os salários.