A região da zona centro de Portugal, Pinhal Interior, enfrenta uma crescente apreensão com a aproximação do verão, após a tempestade de janeiro ter comprometido a circulação em zonas florestais. Em Pedrógão Grande, um dos territórios mais marcados pelos incêndios de 2017, a situação é considerada crítica, com “quase todos os caminhos florestais intransitáveis”, segundo o presidente da Câmara, João Marques.
Apesar dos esforços previstos pelas autarquias e associações locais para remover os obstáculos e limpar os terrenos, os responsáveis admitem dificuldades em dar resposta à dimensão do problema. Em concelhos vizinhos, como Ansião e Alvaiázere, a falta de meios e a extensão das áreas afetadas tornam a tarefa ainda mais complexa. Autarcas alertam que os prazos definidos para a limpeza são irrealistas e defendem maior apoio do Estado.
Domingos Xavier Viegas, especialista em incêndios florestais, destaca que esta biomassa pode facilitar a propagação rápida do fogo, sobretudo em zonas de relevo acentuado como o Pinhal Interior. Além disso, árvores parcialmente caídas podem atuar como “escadas” que levam o fogo até às copas, tornando os incêndios mais intensos e difíceis de combater. A obstrução dos caminhos florestais agrava ainda mais o cenário, dificultando o acesso dos bombeiros e aumentando os riscos no combate às chamas.