Um telescópio solar desenvolvido por investigadores portugueses vai ser instalado no deserto do Atacama, no Chile, numa iniciativa que reforça a nossa participação em projetos científicos internacionais na área da astronomia. O instrumento foi concebido por uma equipa do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, com forte ligação à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e tem como objetivo estudar com maior detalhe a atividade do Sol. A instalação está prevista para o Observatório do Paranal, uma das infraestruturas astronómicas mais avançadas do mundo, gerida pelo Observatório Europeu do Sul (ESO).
O deserto do Atacama foi escolhido por oferecer condições ideais para a observação astronómica. A grande altitude, o clima extremamente seco e a baixa poluição luminosa tornam esta região uma das melhores do planeta para instalar telescópios. Estas características permitem obter imagens e medições mais precisas do que em muitos outros locais, contribuindo para uma investigação científica mais rigorosa.
O telescópio será operado remotamente a partir de Portugal por uma equipa de investigadores nacionais. Esta operação à distância permitirá realizar observações regulares e recolher dados científicos sem necessidade de presença permanente no local. O projeto envolve cerca de uma dúzia de cientistas portugueses e integra-se numa colaboração internacional que aproveita as infraestruturas existentes no observatório chileno.
Entre os principais objetivos do equipamento está o estudo detalhado da atividade solar, incluindo fenómenos que ocorrem na superfície do Sol e que podem influenciar o espaço à volta da Terra. Ao compreender melhor estes processos, os investigadores pretendem também melhorar o conhecimento sobre o funcionamento das estrelas e dos sistemas planetários. O projeto representa mais um passo na afirmação da ciência portuguesa em áreas de investigação de grande relevância internacional.