O preço do petróleo registou uma queda abrupta nos mercados internacionais depois de Donald Trump, de 79 anos, anunciar, na noite de terça-feira, um cessar-fogo de duas semanas na guerra com o Irão, condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de crude.
A trégua, alcançada à última hora e anunciada pelo presidente dos EUA, foi recebida pelos investidores como um sinal de alívio imediato sobre o risco de rutura no abastecimento global de energia. O Brent, referência para a Europa, caiu cerca de 15% e voltou a negociar abaixo dos 100 dólares (85 euros) por barril, fixando-se em torno dos 92,95 dólares (79€). Já o WTI, referência norte-americana, recuou mais de 16%, para 94,79 dólares (80€).
A descida refletiu a perceção de que o acordo temporário reduz, pelo menos para já, a ameaça de bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo.
Nas últimas semanas, o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão tinha alimentado uma forte escalada dos preços da energia, com o crude a disparar mais de 50% em março devido ao receio de interrupções graves no fornecimento. O anúncio de Trump inverteu esse movimento e devolveu algum otimismo aos mercados financeiros, que passaram a antecipar uma normalização parcial do tráfego marítimo e das exportações na região.
Ainda assim, analistas alertam que a queda pode ser apenas temporária. O cessar-fogo tem duração limitada, permanece dependente do cumprimento iraniano e não elimina o risco de novos incidentes militares numa região decisiva para o equilíbrio energético mundial.