A FENPROF rejeitou uma revisão curricular sem a participação dos professores, colocando dúvidas sobre a versão preliminar da revisão das aprendizagens essenciais – em consulta pública desde sexta-feira – e sobre as intenções do Governo. Para a organização sindical, o futuro da escola pública e da profissão exige a participação efetiva dos docentes.
Em comunicado, a FENPROF realça que é “indispensável um debate sério, transparente e amplamente participado, que valorize o conhecimento e a experiência de quem todos os dias constrói a escola pública”.
O Governo defende que a reforma “inclui a atualização dos conteúdos curriculares, a revisão da matriz curricular, a inserção da dimensão digital e de Inteligência Artificial de forma transversal nas aprendizagens, e a reorganização do ensino básico”. No entanto, os representantes dos professores afirmam que os docentes não estiveram envolvidos na avaliação das atuais aprendizagens e questionam se existiu alguma “avaliação rigorosa” que sustente a proposta agora apresentada.
A revista das aprendizagens estava em curso desde 2025, tendo o Governo concluído a revisão dos documentos orientadores para os 1.º, 3.º, 5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade. Durante o primeiro trimestre de 2026, seriam submetidas a consulta pública as AE dos restantes, mas o Executivo vai afinal levar a debate os conteúdos lecionados em todos os anos de escolaridade, após decidir alargar o processo à matriz curricular.
Recorde-se que, entre as alterações, poderá estar o facto de as obras de José Saramago poderem deixar de ser leitura obrigatória para os alunos do 12.º ano, o que está a causar polémica.