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  • ''Não pedi, nem pedirei, para sair'', Ana Paula Martins
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Os protestos no Irão, desencadeados por dificuldades económicas, espalharam-se agora por toda o país, garantem ativistas, sublinhando que as manifestações estão a desafiar o poder teocrático. Até ao momento, a violência em torno das manifestações já matou pelo menos 38 pessoas e mais de 2.200 foram detidas, declarou a organização Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos.

Esta quinta-feira, voltaram a decorrer manifestações em várias cidades. A capital do Irão e outras cidades do país entraram num apagão digital, com os cidadãos a perderem o acesso à Internet em vários fornecedores. Só em Teerão vivem perto de 10 milhões de pessoas.

O crescimento dos protestos aumenta a pressão sobre o governo civil do Irão e o seu líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei. Na quarta-feira, os protestos atingiram cidades rurais e grandes centros urbanos de todas as províncias, embora se mantenham ainda muito localizados. Pelo menos 37 protestos ocorreram em todo o país, disseram ativistas, incluindo em Shiraz.

A agência de notícias estatal IRNA, que se tem mantido praticamente em silêncio sobre as manifestações, noticiou uma manifestação em massa em Bojnourd, bem como manifestações em Kerman e Kermanshah. As autoridades iranianas não reconhecem a dimensão dos protestos.

O descontentamento popular é alimentado pela grave crise económica, com a inflação a atingir 42,2% em termos anuais e aumentos acentuados nos preços dos alimentos, na ordem dos 72%, e dos produtos de saúde. A rápida desvalorização da moeda está a pressionar os orçamentos familiares e a intensificar o receio de uma aproximação à hiperinflação.

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