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  • ''Não pedi, nem pedirei, para sair'', Ana Paula Martins
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O procurador-geral do Irão avisou, este sábado, 10, que qualquer pessoa que participe em protestos, como os que há vários dias contestam o regime do país, será considerada “inimiga de Deus”, acusação punível com pena de morte.

A declaração de Mohammad Movahedi Azad foi divulgada pela televisão estatal iraniana, concretizando a ameaça avançada na sexta-feira pelo líder supremo, ‘ayatollah’ Ali Khamenei, de que o país “ia iniciar” uma repressão.

Os protestos em quase todo o Irão começaram em 28 de dezembro, inicialmente contra o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito a sanções económicas dos Estados Unidos e da ONU, mas têm-se vindo a intensificar nos últimos dias e transformaram-se numa contestação política contra o regime.

Na quinta-feira, por exemplo, as autoridades desligaram a Internet e o sinal de telemóveis em todo o país, na sequência de uma grande manifestação em Teerão e depois de terem sido publicados nas redes sociais vídeos que mostravam uma multidão em protesto.

Com a Internet em baixo e as linhas telefónicas cortadas, acompanhar as manifestações a partir do estrangeiro tornou-se difícil, mas, de acordo com a organização não-governamental Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, o número de mortos nos protestos subiu para, pelo menos, 65 pessoas, registando-se também cerca de 2.300 detidos.

Alguns órgãos de comunicação social estatais e semioficiais continuam, no entanto, a publicar ‘online’ e a estação de notícias do Qatar, Al-Jazeera, transmitiu em direto do Irão, mas parece ser o único grande meio de comunicação social estrangeiro capaz de operar.

Este sábado, a televisão estatal avançou que não houve protestos significativos durante a noite, referindo que “a paz prevaleceu na maioria das cidades”, apesar de “vários terroristas armados terem atacado locais públicos e incendiado propriedades privadas na noite passada”.

As informações foram contrariadas por um vídeo ‘online’ verificado pela agência de notícias Associated Press, que mostrou manifestações na zona de Saadat Abad, a norte de Teerão, nas quais pareciam estar milhares de pessoas nas ruas e onde se ouvia gritos de “Morte a Khamenei”.

Numa declaração inesperada feita na sexta-feira, o líder supremo criticou os manifestantes por estarem alegadamente a destruir as ruas em nome de um presidente do estrangeiro, numa referência a Donald Trump, que ameaçou “bater muito forte” no Irão, se as autoridades “começassem a matar os manifestantes”.

Entretanto, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio voltou a apoiar os manifestantes, escrevendo, nas redes sociais: “Os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irão”.

Numa outra mensagem, o Departamento de Estado norte-americano sublinhou que as afirmações de Trump devem ser levadas a sério: “Não brinquem com o Presidente Trump. Quando ele diz que vai fazer alguma coisa, cumpre.”

Créditos do vídeo: WokeUp News

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