O Primeiro-Ministro anunciou esta sexta-feira que a versão definitiva do Plano Tecnológico de Recuperação e Resiliência (PTRR) deverá ser aprovada no início de abril. Contudo, o anúncio ficou marcado pela ausência de um envelope financeiro fechado, uma decisão que o Executivo justifica com a necessidade de concluir primeiro o período de auscultação nacional para ajustar as dotações às necessidades reais do país.
Esta estratégia de calendarização gerou uma reação imediata nas bancadas da oposição. O PCP, pela voz de Paula Santos, classificou a comunicação como uma “operação de propaganda”, acusando o Governo de apresentar uma “mão cheia de nada” e de reciclar programas antigos sem detalhar medidas concretas ou prazos de execução. No Bloco de Esquerda a crítica estendeu-se à gestão emocional da crise, com acusações de “falta de empatia” perante as recentes intempéries que motivaram o plano.
Em resposta, o chefe do Governo rejeitou o que denominou de “debate moral” sobre a sensibilidade social do Executivo, mantendo o foco na modernização digital e na transição energética. Com o arranque de abril como meta, o PTRR entra agora numa fase crítica de debate público, onde a transparência na distribuição dos fundos e a capacidade de execução serão os principais pontos de fricção entre o Governo e os seus críticos.
À margem da polémica, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa saudou o PTRR, destacando a importância de o plano envolver já o seu sucessor, António José Seguro, para garantir continuidade institucional. Marcelo apelou ainda à máxima transparência na gestão das verbas, sublinhando que o país não pode falhar a execução deste apoio estratégico.