A responsabilização pública do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, feita por Nuno Melo, pelo atraso na revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, causou um profundo mal-estar entre estes dois governantes que pode, soube o 24Horas, motivar a própria intervenção do primeiro-ministro no sentido de apaziguar o conflito.
Numa declaração feita no Parlamento, o ministro da Defesa afirmou que o atraso se devia à demora da resposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, de quem esperava contributos desde desde o mês de setembro do ano passado.
Segundo o governante, a atualização do documento estratégico — que define as prioridades da política de defesa portuguesa — deveria já ter sido realizada há cerca de três anos, estando atualmente desatualizada. Entre outros aspetos, a versão ainda em vigor continua a classificar a Rússia como “parceira”, um enquadramento considerado ultrapassado face à atual situação geopolítica internacional.
No Parlamento, Nuno Melo insistiu que o Ministério da Defesa concluiu a sua parte do trabalho e que aguarda os contributos da diplomacia portuguesa para finalizar o documento e avançar com o processo de aprovação.
O 24Horas soube entretanto que Rangel terá feito saber a Luís Montenegro do seu ‘desconforto’ com as declarações públicas de Melo, e exigido uma retratação pública do mesmo.
Recorde-se que, desde que assumiu a pasta dos Negócios Estrangeiros, Rangel tem protagonizado diversos conflitos e querelas com ministros, secretários de Estado, deputados, e até chefes militares, como foi o caso do agora chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Cartaxo Alves.
A revisão do conceito estratégico é considerada essencial para orientar a política de defesa nacional, incluindo as prioridades militares, o posicionamento internacional de Portugal e as respostas às novas ameaças de segurança.