Os empresários de Cabo Verde estão preocupados com a forma como Portugal está a tentar atrair trabalhadores de outros países, incluindo cabo-verdianos, pois temem que essa procura possa prejudicar o crescimento económico das ilhas.
Marcos Rodrigues, líder da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Sotavento, disse à Lusa que o país sabe que “continuará a haver saída [de trabalhadores] de Cabo Verde” e que estão a “tentar melhorar salários, qualificação, criar melhores condições” para combater essa realidade.
O problema, segundo Marcos Rodrigues, é que Portugal tem estado a recrutar mais profissionais em áreas como a construção civil, a agricultura e algumas indústrias leves – setores onde Cabo Verde também precisa de trabalhadores.
O líder da Câmara de Comércio explicou que estas áreas têm crescido e precisam de mão-de-obra com competências, algo que muitas vezes falta no arquipélago.
Marco Rodrigues frisou ainda que são um país pequeno, “com fragilidades enormes”, e que a perda de trabalhadores pode “prejudicar seriamente o nosso crescimento”. Por isso, defende que quem recruta em Cabo Verde também deve contribuir para formar mais profissionais, para que as empresas não fiquem sem as pessoas de que precisam.
O responsável acrescentou que Portugal e a União Europeia (UE) “dispõem de recursos que podem ser aplicados na formação de cabo-verdianos e de profissionais de países vizinhos”.
Para terminar, Marcos Rodrigues afirmou que Cabo Verde entende as necessidades portuguesas, mas que não pode deixar que isso aconteça “à custa de pressão sobre os recursos humanos” do país, já que “a economia não suporta salários tão elevados como na Europa”.