Numa entrevista dada ao diário espanhol El Mundo, publicada ontem no suplemento LOC, o rei emérito Juan Carlos I fez declarações em que procura enquadrar o seu legado e responder às polémicas que marcaram os últimos anos do seu percurso público.
´A partir de Abu Dhabi, onde reside desde 2020, o antigo monarca afirma sentir-se “orgulhoso” do papel desempenhado na transição democrática espanhola e sublinha que “voltaria a agir da mesma forma” nos momentos decisivos do reinado. Juan Carlos reconhece que os acontecimentos que motivaram a sua saída de Espanha afetaram a imagem da instituição, mas defende que já prestou todos os esclarecimentos à justiça e à opinião pública. Sem indicar uma data para um eventual regresso definitivo, diz acompanhar “com atenção e lealdade” o reinado de Felipe VI e manifesta confiança no futuro da monarquia.
Na entrevista, o antigo chefe de Estado admite que a sua retirada para o estrangeiro foi uma decisão “difícil, mas necessária” para preservar a estabilidade da Coroa, recusando, porém, a ideia de que tenha abdicado do seu papel histórico.
Juan Carlos sublinha que mantém uma relação próxima com a família e com Espanha, país que afirma nunca ter deixado de considerar como “a sua casa”. As declarações surgem num contexto de renovado debate público sobre a memória do seu reinado, dividida entre o reconhecimento pelo contributo para a consolidação democrática e as críticas decorrentes dos casos financeiros que precipitaram o seu afastamento da vida institucional.