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  • “Para nós, argentinos, aquilo é um insulto normal de jogo”, Prestianni, sobre as bocas de Mbappé, no Estádio da Luz
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Quatro anos após a prisão e morte do banqueiro João Rendeiro na África do Sul, o 24Horas reconstituiu a fuga e os últimos meses do fundador do BPP, vividos entre Londres e a África do Sul, onde os que ele supunha que o iam ajudar foram, afinal, os primeiros a denunciá-lo às autoridades…

Quando, em 12 de setembro de 2021, abandonou o país decidido a nunca mais voltar, João Rendeiro já tinha sido condenado em dois processos. Num, a cinco anos de cadeia. Noutro, a 10 anos. Durante a fuga, soube que fora condenado a mais três anos e seis meses num terceiro caso.  Reclamava inocência de todos os crimes cometidos no Banco Privado Português, de que foi fundador e era o principal gestor. Ir para a cadeia estava fora de questão.

João Rendeiro, apesar das condenações, saiu do país: ia a Londres e voltava num instante. Mas o banqueiro caído em desgraça já a tinha fisgada. Primeiro pensou encontrar refúgio no Brasil; depois na Argentina; ainda se lembrou do recôndito Belize e do longínquo Vietname, mas por conselho de um advogado que fugazmente o representou, e também porque ali conhecia muitos portugueses com fortuna que nos bons tempos do banco lhe apertavam a mão com amizade, decidiu-se pela África do Sul. Tinha a certeza de que eles não deixavam agora de lhe dar a mão. Tramou-se…

Com amigos destes…

Em 14 de setembro, dois dias depois de ter chegado a Londres, Rendeiro voou para o Qatar – e daqui partiu para a África do Sul, tudo a borda da Emirates. Desembarcou em Joanesburgo e instalou-se em Sandton, um exclusivo subúrbio só ao alcance de grandes bolsas. Aqui, terá o ex-banqueiro sentido na pele que os amigos não são, afinal, para todas as ocasiões. Não foi acolhido de braços abertos.

As notícias vindas de Lisboa davam-no com um condenado foragido à Justiça. Ele, em conluio com dois dos gestores do outrora próspero BPP, Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard de seus nomes, era apontado como o grande culpado da derrocada do banco. Os amigos da África do Sul, os mesmos que lhe beijavam o chão nos anos de abundância, viraram-lhe as costas com nojo.

Ao fim de uns dias no cosmopolita bairro de Sandton, João Rendeiro, abandonado, refugia-se derrotado em Durban, cidade costeira do Índico. Hospedou-se num luxuoso hotel dos arredores – o Forest Manor, em La Lucia. Registou-se com o seu nome verdadeiro e exibiu o passaporte. Utilizou 12 cartões de crédito emitidos sob contas sedeadas em paraísos fiscais. Em 28 de setembro, anunciou no seu blogue pessoal que não iria regressar a Portugal por se sentir injustiçado.

A estreia das emissões da CNN Portugal foi marcada pela entrevista dada por João Rendeiro ao jornalista Júlio Magalhães

Por esta altura, mais concretamente a 22 de novembro, Rendeiro surpreende tudo e todos quando, já em Durban, concede uma extensa entrevista à CNN Portugal, onde responde a perguntas de Júlio Magalhães, então uma das caras daquele canal. Num ecrã gigante colocado nos claustros do mosteiro dos Jerónimos, onde o ‘patrão’ Mário Ferreira recebe o ‘tutti quanti’ da política e dos negócios para a festa de lançamento da nova marca do grupo Media Capital, que inicia as suas emissões naquela noite, o regime, com Marcelo e Costa na primeira fila da festa, assiste surpreendido ao ‘inimigo público nº1’ a dizer de sua justiça…

Liberdade ou morte!

Ao fim de três meses em fuga, João Rendeiro é preso.  Fora denunciado por um dos amigos da comunidade portuguesa. Durante dias, o ex-banqueiro foi alvo de uma operação de vigilância montada pelas autoridades sul-africanas: vigiaram-no, seguiram-no, fotografaram-no – e os relatórios e as imagens envidas para a Polícia Judiciária em Lisboa. Não havia dúvidas. Era mesmo ele. Foi detido, às sete da manhã de 11 de dezembro, menos duas horas em Lisboa.

Até o então Presidente da República saudou a detenção de João Rendeiro. “Foi um momento importante para a justiça portuguesa, para a confiança dos portugueses na justiça, nas instituições que mandam, na democracia e, nesse sentido, foi muito positivo, porque mostrou que ninguém está acima da lei”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Rendeiro ficou detido na esquadra policial de North Durban, onde permanece durante dois dias. Contrata a advogada June Marks, especialista em processos de extradição. Apenas no dia 13 é presente a um juiz no Tribunal de Verulam. A defesa pede a sua libertação sob fiança. O Ministério Público sul-africano opôs-se.  A sessão é adiada para o dia seguinte – e João Rendeiro recolhe algemado à prisão de Westville, em Durban.

O banqueiro João Rendeiro deixou bem claro que não estaria disposto a voltar a Portugal, mesmo que o tribunal sul-africano decidisse extraditá-lo

O ex-banqueiro queixa-se de ameaças de morte na cadeia sobrelotada por reclusos em cumprimento de pesadas penas por crimes particularmente violentos. A advogada June Marks adianta aos jornalistas que vai pedir a transferência para outra cadeia. A sessão volta a ser adiada. Desta vez, a pedido da defesa. A advogada precisa de tempo para apresentar o requerimento de libertação sob fiança. À saída do tribunal, João Rendeiro, com a farda prisional cor de laranja, disse aos jornalistas: “Eu não vou regressar a Portugal”, dando razão a quem, conhecendo-o, asseverava que ele não hesitaria em pôr termo à vida se o obrigassem a voltar ao seu país.

O dinheiro vai faltando, quanto mais não fosse porque a pouco e pouco a polícia portuguesa descobre várias contas que Rendeiro mantinha por esse mundo fora. A última, no Dubai, onde ainda restavam pouco mais de 300 mil dólares, foi descoberta, já com Rendeiro preso, numa das sucessivas buscas que o apartamento de Maria de Jesus, sua mulher, vivia na Quinta Patino, foi alvo, e onde foi encontrado um extrato bancário.

De revés em revés, até à morte

A libertação sob fiança é liminarmente rejeitada pelo tribunal: “É um fugitivo, contra as ordens dos tribunais e quase de certeza fugiria. Se não respeita processos judiciais em Portugal por que iria respeitar na África do Sul?” – disse o juiz Rajesh Parshotam, que ficou conhecido dos portugueses por presidir ao tribunal com uma viseira maior que a própria face.

A extradição só começa a ser discutida em 21 de janeiro. A advogada de defesa revela, em carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que Rendeiro já foi alvo de “tentativas de extorsão” e que os seus direitos humanos estão a ser violados na prisão de Westville. O julgamento do processo de extradição acaba por ser adiado para junho.

De Lisboa vêm más notícias. O Tribunal da Relação de Lisboa nega o recurso no processo em que foi condenado a 10 anos por crimes de fraude fiscal qualificada, abuso de confiança e branqueamento de capitais. O juiz Rui Teixeira, o mesmo que ficou conhecido no processo da Casa Pia, critica severamente o arguido: diz que ex-banqueiro foi movido pela “ganância e avidez” e que “delapidou o banco e os clientes”.

Quase três meses depois do acórdão da Relação, em 13 de maio de 2022, João Rendeiro é encontrado enforcado na sua cela de prisão de Westville. De acordo com as autoridades prisionais sul-africanas, a morte tratou-se de suicídio – tese que será confirmada semanas mais tarde quando, numa segunda autópsia, realizada em Lisboa, pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, o corpo chegou a Portugal.

O velório do banqueiro, que se realizou na Basília da Estrela, em Lisboa, contou com poucas caras conhecidas

Dois dias antes de aparecer morto na cela para a qual tinha sido transferido horas antes, num gesto hoje entendido como premonitório, tinha pedido, numa mensagem enviada por WhatsApp a amigos em Lisboa, que ajudassem e olhassem pela sua mulher…

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