A cerimónia de comemoração dos 50 anos da Constituição da República Portuguesa, na Assembleia da República, decorreu na manhã desta quinta-feira, dia 2. Durante o discurso do líder do Chega, André Ventura, vários deputados constituintes que assistiam à sessão solene abandonaram as galerias. Em causa está a alegação de que havia “mais presos políticos depois do 25 de abril de 1974 do que havia antes”.
André Ventura afirmou que, “já com esta Constituição ou à beira desta Constituição, já após a revolução ou perto da revolução”, houve cidadãos que “foram presos sem mandato, foram mortos em atentados das FP-25”: “Foram assassinados por grupos terroristas patrocinados” por “muitos desses deputados da constituinte.”
O líder do Chega deixou uma questão: “O que dirão as gerações futuras sobre um parlamento que amnistiou um grupo terrorista de esquerda que tinha na sua lista mortes de bebés, seres humanos, casais, às mãos da extrema-esquerda?” E sob contestação, continuou: “Os tais filhos e netos de Abril sabem que também houve filhos e netos expropriados sem razão e pessoas assassinadas sem razão?”
Depois de alegar que havia mais presos políticos depois do 25 de abril de 1974 do que antes, vários constituintes abandonaram o lugar de onde assistiam a cerimónia, nas galerias, entre eles Helena Roseta, na altura eleita pelo PPD/PSD, e Jerónimo de Sousa, antigo secretário-geral do PCP. André Ventura reagiu: “Não vale a pena sair, porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma. Não é por saírem que a verdade não será dita.”
O protagonista deste partido de extrema-direita acrescentou que os deputados que assinaram a lei fundamental “nunca souberam conviver com a liberdade, só sabem conviver com a sua liberdade”.
Terminado o discurso de Ventura, os deputados constituintes regressaram aos seus lugares e foram aplaudidos pelo parlamento, com exceção das bancadas do Chega e do CDS-PP. Os deputados do partido de Ventura protestaram, o que resultou numa chamada de atenção do presidente da Assembleia da República (AR), José Pedro Aguiar-Branco, para que se contivessem nos gestos e lembrou que os constituintes estavam presentes “a convite da AR”.
A insistência do Chega nos protestos levou mesmo a Aguiar-Branco mandar calar o polémico deputado Filipe Melo.